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Museu do Ipiranga usará tecnologia de preservação aplicada no Coliseu

Sistema de monitoramento com laser 3D, usado na preservação do Coliseu de Roma, ajudará a identificar possíveis problemas no Museu do Ipiranga

Fotografia do Museu do Ipiranga
Fotografia do Museu do Ipiranga - Webysther/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

O Museu do Ipiranga, em São Paulo, passará a utilizar a mesma tecnologia empregada na preservação do Coliseu de Roma para monitorar e conservar sua estrutura. O método, baseado em escaneamento a laser tridimensional, será aplicado ao edifício histórico inaugurado em 1895 com o objetivo de acompanhar suas condições após a ampla reforma que manteve o espaço fechado durante nove anos.

A iniciativa integra um projeto coordenado pela professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (USP). A proposta prevê a realização de um escaneamento completo do prédio para identificar eventuais problemas estruturais e acompanhar o comportamento dos materiais utilizados na construção.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal da USP, a etapa técnica ficará a cargo do laboratório Diaprem, da Universidade de Ferrara, na Itália. A instituição é a mesma responsável pelo monitoramento do Coliseu, um dos monumentos históricos mais importantes do mundo e símbolo do Império Romano. Construído no ano 70 d.C., o anfiteatro italiano já utiliza o sistema de escaneamento tridimensional para acompanhar a conservação de sua estrutura ao longo do tempo.

Com a adoção da tecnologia, os pesquisadores pretendem criar uma base detalhada de informações sobre o Museu do Ipiranga, permitindo o rastreamento de alterações e a avaliação contínua das condições do edifício, repercute a Folha de S. Paulo.

Tesouros nacionais

O museu é considerado o mais antigo equipamento público desse tipo no estado de São Paulo e abriga um dos mais importantes acervos históricos relacionados à independência do Brasil. Entre os itens preservados pela instituição estão peças de mobiliário, objetos históricos e obras de arte de relevância nacional.

Entre os destaques da coleção está a pintura “Independência ou Morte“, produzida por Pedro Américo em 1888. A obra representa uma interpretação artística do momento em que Dom Pedro I teria proclamado a independência do Brasil em relação a Portugal e figura entre os símbolos mais conhecidos da história brasileira.

Com a implementação do novo sistema de monitoramento, o Museu do Ipiranga passará a contar com uma ferramenta já utilizada em um dos patrimônios históricos mais emblemáticos do mundo para auxiliar na preservação de seu edifício e de sua estrutura.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.