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De mamute a grande felino: cocô de esquilo da era do gelo revela DNA de diversos animais

Análise de cocô de esquilo revelou DNA de diversos animais que viveram durante a era do gelo no território canadense de Yukon

Esquilo terrestre - Crédito: Getty Images

Cientistas analisaram as fezes congeladas de esquilos pré-históricos e encontraram DNA de diversos animais que viveram durante a era do gelo no território canadense de Yukon. Conforme artigo publicado no último dia 9 na revista Nature Communications, os vestígios genéticos incluem mamutes-lanosos e um grande felino ainda não identificado.

É importante destacar que, embora o DNA de grandes animais tenha sido encontrado nas amostras, os esquilos terrestres não eram carnívoros. Na verdade, assim como seus parentes modernos do Ártico, eles tinham uma dieta onívora oportunista, alimentando-se de plantas, fungos, insetos, pequenos roedores e carcaças de animais.

Também vale mencionar, de acordo com o portal Live Science, que esses mamíferos costumavam recolher e armazenar diversos materiais em suas tocas e que esse mesmo comportamento pode ter contribuído para a presença de material genético de diferentes espécies nas fezes preservadas. Além disso, os pesquisadores consideram a possibilidade de que parte do DNA encontrado pertença a predadores que se aproximavam das tocas em busca dos esquilos.

“Os esquilos terrestres do Ártico que estão no Yukon hoje agem meio que como ratos de carga. Então eles vão para a paisagem, coletam vários pedaços diferentes de material vegetal, ossos, sementes, e levam de volta para a toca”, explicou Tyler Murchie, pesquisador de paleogenômica do Instituto Hakai, no Canadá.

Independentemente da origem exata desse material genético, fato é que os coprólitos (as fezes fossilizadas) se mostraram valiosos registros da fauna e da flora da Beríngia, a região que conectava o nordeste da Ásia e o noroeste da América do Norte durante a última era glacial.

Analisando amostras

Para o estudo, os cientistas examinaram amostras retiradas de excrementos preservados por milhares de anos em tocas enterradas no permafrost profundo de Yukon, próximo à fronteira com o Alasca. Algumas das amostras analisadas tinham cerca de 700 mil anos de idade e revelaram uma impressionante diversidade biológica.

“A pesquisa mostra que os coprólitos de esquilos terrestres preservam registros genéticos extremamente diversos da antiga Beríngia, tornando-se repositórios excepcionais para compreender mudanças evolutivas e ecológicas ao longo do passado profundo”, afirmou Hendrik Poinar, diretor do Centro de DNA Antigo da Universidade McMaster.

O material recuperado permitiu aos cientistas reconstruir mais de 18 genomas mitocondriais completos, incluindo os de mamutes-lanosos (Mammuthus primigenius), bisões-das-estepes (Bison priscus), cavalos do gênero Equus, lebres-americanas (Lepus americanus) e dos próprios esquilos-terrestres do Ártico. Entre as descobertas mais relevantes está um mitogenoma extraído de uma amostra com aproximadamente 700 mil anos, considerado o genoma mitocondrial mais antigo já recuperado de fezes antigas.

Os pesquisadores também identificaram sinais genéticos mais discretos de outras espécies, como lemingues, caribus, lobos-cinzentos e um grande felino que pode ter sido um puma ou até mesmo o extinto guepardo-americano (Miracinonyx trumani). Além disso, foram encontrados vestígios de bactérias, fungos e mais de 200 grupos diferentes de plantas.

Os autores destacaram que, graças à riqueza de informações preservadas nesses excrementos, é possível que, no futuro, obtenhamos mais respostas sobre sobre a evolução dos ecossistemas do Ártico, bem como as mudanças ambientais ao longo do tempo e o desaparecimento da megafauna da era do gelo.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.