Molotov-Ribbentrop: O pacto entre Hitler e Stalin que chocou o mundo
Ideologicamente inimigos mortais, os líderes da Alemanha nazista e da União Soviética assinaram um acordo secreto que esmagou a Polônia

Poucas alianças pareceram tão improváveis na história contemporânea quanto aquela firmada entre Adolf Hitler e Josef Stalin às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
De um lado estava o líder da Alemanha nazista, cuja ideologia tratava o comunismo soviético como inimigo mortal. Do outro encontrava-se o dirigente máximo da União Soviética, que via o nazismo como uma ameaça direta ao seu projeto político.
Ainda assim, os dois assinaram um acordo. Para compreender como isso aconteceu, é necessário voltar à Conferência de Munique.
++ Política de Apaziguamento: A arrogância da diplomacia que alimentou o Eixo
Exclusão de Moscou
Reino Unido, França e Itália reuniram-se com a Alemanha para discutir o futuro dos Sudetos tchecos. O detalhe mais surpreendente foi que a própria Tchecoslováquia não participou das negociações. Mas houve uma ausência ainda mais significativa: a União Soviética.
Os líderes ocidentais cometeram um erro estratégico monumental ao não convidar Moscou para as negociações. Afinal, a URSS já havia desempenhado papel decisivo na vitória aliada durante a Primeira Guerra Mundial.
Stalin interpretou essa exclusão como um desprezo deliberado. Sentiu-se isolado. Ignorado. Tratado como um elemento irrelevante na política europeia.
A resposta veio rapidamente. Rancoroso, decidiu ignorar também os líderes ocidentais e assinou com a Alemanha o Pacto Molotov–Ribbentrop, buscando garantir para si a parcela da Polônia que acreditava lhe pertencer.
Impacto imediato
O acordo causou espanto. Nazistas e soviéticos pareciam incompatíveis. O pacto era tão pouco crível quanto imaginar que os nazistas deixariam de cantar seu próprio hino partidário. Mesmo assim, aconteceu. E suas consequências foram imediatas.
Quando a Alemanha invadiu a Polônia em setembro de 1939, a União Soviética também avançou sobre o país duas semanas depois. A Polônia passou a ser esmagada simultaneamente por dois gigantes.
O pacto, entretanto, carregava uma contradição fundamental. A Alemanha acabaria violando o acordo posteriormente. Ainda assim, naquele momento, ele serviu para alterar completamente o equilíbrio de forças na Europa.
Rumos Alternativos
Alguns historiadores acreditam que a história poderia ter sido diferente. Caso a União Soviética tivesse participado das negociações de Munique, talvez os Sudetos não tivessem sido entregues ao Terceiro Reich. Talvez Hitler e Stalin jamais tivessem firmado aquele acordo. Talvez os acontecimentos posteriores tivessem seguido outro rumo.
Mas nada disso aconteceu. A exclusão de Stalin teve um preço. E a assinatura do Pacto Molotov–Ribbentrop tornou-se um dos episódios mais chocantes e decisivos da marcha rumo à Segunda Guerra Mundial.
++ Mais detalhes destas histórias estão na coleção que Aventuras na História apresenta, denominada “A Guerra de Todos”. Dividido em oito livros, escrito pelo jornalista Edgardo Martolio, a coleção ajuda a entender a magnitude do conflito e também conta tudo aquilo que ainda pouco conhecemos da Segunda Guerra Mundial.
O primeiro livro da coleção “A Guerra de Todos”, que possui o título de “O Eixo: Agressores, Iludidos e Anexados” já está em pré-venda. Saiba mais detalhes clicando aqui!