Copa do Mundo começa sob protestos e cobranças no México
Manifestantes usaram a abertura do Mundial para cobrar respostas sobre desaparecidos e reivindicar melhorias na educação

Protestos tomaram as ruas da Cidade do México nesta quinta-feira, 11 de junho, data que marca a abertura da Copa do Mundo. As manifestações reuniram professores e familiares de pessoas desaparecidas, que aproveitaram a visibilidade do evento para cobrar respostas das autoridades e reivindicar mudanças em diferentes áreas.
Entre os atos registrados na capital mexicana, um dos grupos questionou os investimentos públicos destinados à realização do Mundial enquanto o país contabiliza cerca de 130 mil desaparecidos, segundo dados oficiais. Os manifestantes buscaram chamar atenção para a situação das famílias que continuam sem respostas sobre o paradeiro de seus parentes.
Parte dos participantes tentou seguir em direção ao Estádio Azteca, onde ocorre a partida de abertura da competição. No entanto, o avanço foi interrompido pela polícia mexicana antes da chegada ao local. Após o bloqueio, alguns integrantes do protesto se dirigiram à região da estátua do Anjo da Independência.
Durante a mobilização, uma mãe que procura o filho desaparecido concedeu um depoimento ao jornal mexicano La Silla Rota. “Meu filho gostaria de estar no Azetca. Ele desapareceu em 5 de maio de 2024 e ainda não voltou. Ele seria um dos primeiros, era apaixonado por futebol”, disse.
Outras manifestações
Além dos familiares de desaparecidos, trabalhadores ligados à Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) também realizaram protestos ao longo da manhã. O grupo organizou manifestações para pressionar o governo por melhorias na educação pública.
Os profissionais da educação pretendiam marchar até o Estádio Azteca, mas também tiveram o trajeto interrompido pelas forças de segurança. Entre as principais reivindicações apresentadas pelos manifestantes estão reajustes salariais e mudanças no sistema de aposentadoria, repercute o Metrópoles.

As mobilizações ocorreram paralelamente às atividades relacionadas à abertura da Copa do Mundo, que tem o México como sede da cerimônia inaugural e da primeira partida do torneio. Enquanto milhares de torcedores se concentravam para acompanhar o início da competição, os grupos manifestantes buscaram aproveitar a atenção internacional voltada para o país para dar visibilidade às suas demandas.
Os atos reuniram pautas distintas, mas tiveram em comum a tentativa de levar ao centro do debate questões sociais consideradas prioritárias pelos participantes, em um dia marcado pela estreia do maior evento do futebol mundial.