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Falsas-orcas estão emagrecendo e correm risco de serem extintas; entenda!

Pesquisadores monitoraram animais entre os anos de 2019 e 2025 e notaram que eles vêm enfrentando um grande estresse nutricional

Falsa-orca do Havaí - Crédito: Divulgação/Pacific Whale Foundation

Falsas-orcas que habitam a região do Havaí se encontram em grande risco de extinção, já que a espécie vem enfrentando estresse nutricional em razão do aquecimento dos mares. A conclusão é de um estudo publicado em 4 de junho na revista Endangered Species Research, que acompanhou a saúde desses mamíferos entre 2019 e 2025.

Conforme o artigo, os pesquisadores monitoraram 68 indivíduos, cerca de metade da população remanescente, e observaram perdas de peso alarmantes. Em um dos casos mais extremos, uma falsa-orca perdeu 227 quilos, o equivalente a 28% de sua massa corporal, em questão de apenas dez semanas.

O estudo também identificou que a população atingiu um recorde de baixa em 2020. Segundo os cientistas, a redução coincidiu com uma intensa onda de calor marinha, fenômeno que afetou tanto a disponibilidade de presas quanto a capacidade das baleias de manter reservas energéticas adequadas.

“Nossos resultados sugerem que muitos indivíduos estão vivendo em uma margem metabólica muito estreita. Agora estamos examinando como a competição com a pesca por presas de alta energia, como o atum-albacora e o dourado, pode estar forçando essas baleias a um estado de estresse nutricional crônico”, explicou Jens Currie, da Pacific Whale Foundation (PWF), de acordo com o portal Galileu.

Uma população distinta

As falsas-orcas formam uma população bastante diferente de outras espécies. Conhecidas por percorrer grandes distâncias entre as ilhas havaianas, elas são adaptadas aos ecossistemas costeiros. Como essa forma de vida exige excelente condição física e um elevado gasto energético, a escassez de alimento leva à perda de massa em curtos períodos de tempo.

Para acompanhar a condição corporal dos animais, os cientistas utilizaram fotogrametria por drones. Ao todo, foram obtidos 142 registros aéreos, posteriormente comparados com modelos tridimensionais de baleias mantidas pela Fundação Okinawa Churashima, no Japão.

As análises permitiram converter as imagens em estimativas de peso e volume corporal, com margem de erro de apenas 3%. “Esse nível de precisão nos permitiu identificar exatamente quando e onde essas baleias estão enfrentando dificuldades, o que é fundamental para direcionar os esforços de conservação”, afirmou Lars Bejder, da Universidade do Havaí.

Perda é também cultural

As preocupações em torno da sobrevivência das falsas-orcas vão além da conservação da biodiversidade. Como destaca Kaʻapuni, da PWF, o desaparecimento desses animais representa uma perda cultural para o Havaí.

A perda da nossa população nativa de falsas-orcas elimina o conhecimento das nossas ilhas e da nossa história”, afirmou.

O cenário é considerado preocupante porque a população de falsas-orcas vem diminuindo cerca de 3,5% ao ano. Os autores do estudo esperam que o monitoramento da massa corporal e da condição física desses mamíferos sirva como base para futuras estratégias de conservação e para a identificação precoce de tendências que possam ameaçar ainda mais a saúde da espécie.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.