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‘Nostradamus da China’ diz que divulgação de arquivos sobre OVNIs estaria desviando o foco de questões mais sérias

Professor que ficou conhecido como Nostradamus da China fez comentários sobre a recente divulgação de arquivos sobre OVNIs pelo governo dos EUA

O professor Jiang Xueqin; à direita, imagem divulgada na primeira onda de arquivos de OVNIs - Crédito: Divulgação

Um professor e comentarista político sino-canadense vem chamando atenção por supostas previsões no meio político que teriam se tornado realidade. Jiang Xueqin, que recebeu o apelido de “Nostradamus da China“, ganhou notoriedade após prever, entre outros acontecimentos, o retorno de Donald Trump à Casa Branca e um possível confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã durante seu governo. Agora ele voltou os holofotes para um tema diferente: a recente divulgação de arquivos sobre objetos voadores não identificados pelo governo dos Estados Unidos.

Segundo Jiang, o verdadeiro risco por trás do debate sobre OVNIs não está em visitantes extraterrestres, mas nos efeitos sociais provocados por uma crescente cultura de medo e desconfiança.

Em conversa com o influenciador Nico Ken De Balinthazy, conhecido na internet como Sneako, Jiang rejeitou completamente a hipótese de que os fenômenos registrados nos arquivos divulgados tenham origem alienígena.

“Todo mundo sabe que é um completo absurdo. É uma completa besteira. Não há alienígenas; Não existe tecnologia alienígena. É uma alucinação. Você só distrai as pessoas”, afirmou, segundo o portal Daily Mail.

Segundo ele, a atenção dada aos supostos mistérios dos céus estaria desviando o foco de problemas mais profundos enfrentados pela sociedade contemporânea. Jiang argumenta que as pessoas estão cada vez mais isoladas em grupos que compartilham crenças específicas. Para ele, alguns indivíduos se tornam obcecados por OVNIs, enquanto outros concentram suas preocupações em inteligência artificial, conspirações governamentais ou fenômenos sobrenaturais. Essa tendência, segundo o comentarista, leva as pessoas a se refugiarem em bolhas ideológicas e informacionais.

Divulgação de documentos

As declarações surgem em meio à continuidade do programa de divulgação de documentos anteriormente classificados relacionados aos chamados Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês). O processo de liberação de registros já resultou na publicação de dezenas de vídeos, fotografias e relatórios de inteligência que permaneceram fora do alcance do público durante anos.

Entre os materiais divulgados estão gravações que aparentemente mostram esferas metálicas e objetos semelhantes a orbes movendo-se em alta velocidade sobre oceanos, regiões montanhosas e instalações militares. Também vieram a público relatos feitos por pilotos, militares e agentes de inteligência que afirmaram ter testemunhado fenômenos para os quais não encontraram explicação.

As revelações reacenderam o debate sobre a possibilidade de vida extraterrestre e sobre o grau de conhecimento que os governos possuem a respeito desses acontecimentos. Jiang, entretanto, acredita que essa discussão está sendo conduzida na direção errada.

O grande perigo

Na avaliação dele, o maior perigo não é a existência de seres de outros mundos, mas a crescente incapacidade das sociedades de lidar com a incerteza. Segundo o analista, muitas pessoas preferem abraçar narrativas que ofereçam respostas simples para fenômenos complexos, em vez de confrontar problemas concretos.

“Eles preferem fechar os olhos, fechar os ouvidos e simplesmente viver no mundo normal”, afirmou.

Jiang argumentou ainda que processos semelhantes já ocorreram em momentos de declínio de grandes civilizações. Para ele, a combinação de exaustão social, conflitos internos e perda de confiança nas instituições pode enfraquecer países inteiros.

A entrevista também avançou para temas mais controversos. O comentarista questionou os elevados investimentos destinados a projetos científicos de grande escala, citando como exemplo o CERN, organização europeia responsável pela operação do Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.

Segundo Jiang, os gastos bilionários com pesquisas envolvendo partículas subatômicas levantam questionamentos sobre os objetivos reais dessas iniciativas. Durante a conversa, ele mencionou teorias da conspiração populares na internet que alegam, sem evidências científicas, que experimentos conduzidos pelo CERN poderiam estar relacionados à abertura de portais interdimensionais.

Ele também fez referências a debates sobre inteligência artificial e ao interesse de grandes empresas de tecnologia em compreender aspectos ainda desconhecidos da consciência humana.