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Estudo com dentes revela diversidade entre os primeiros neandertais da Europa

Equipe de cientistas analisou dentes de neandertais encontrados no sítio arqueológico de Payre, no sudeste da França, e fez uma surpreendente descoberta

Representação de um neandertal europeu
Representação de um neandertal europeu - Divulgação/Universidade de Edinburgo

Uma pesquisa com dentes fósseis datados de 250 mil anos atrás resultou em uma grande descoberta sobre a evolução dos primeiros neandertais na Europa. O estudo, liderado pelo Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, analisou nove dentes encontrados no sítio arqueológico de Payre, no sudeste da França.

No estudo, os cientistas investigaram como diferentes populações humanas da época evoluíram ao longo do tempo e em distintas regiões do continente europeu. Para isso, utilizaram microtomografias computadorizadas e análises morfométricas geométricas, técnicas que permitiram examinar tanto a superfície quanto as estruturas internas dos dentes, como esmalte e dentina. O método revelou detalhes que não haviam sido identificados em pesquisas anteriores.

Como destaca o portal Archaeology News, o sítio de Payre pertence ao chamado Estágio Isotópico Marinho 7, período do qual existem poucos fósseis humanos conhecidos. Por isso, sua posição na evolução dos neandertais vem sendo debatida há décadas. Enquanto alguns pesquisadores relacionam esses indivíduos a neandertais mais recentes, outros defendem uma ligação mais próxima com grupos humanos anteriores do Pleistoceno Médio.

Os dentes analisados não apresentaram um padrão único. Parte das características se aproxima de fósseis encontrados em Biache-Saint-Vaast e Montmaurin-La Niche, ambos na França. Já outros traços lembram os fósseis de Sima de los Huesos, em Atapuerca, na Espanha, associados a uma fase mais antiga da evolução humana europeia.

Dentro da sequência

Durante as análises, os pesquisadores também foram capazes de identificar diferenças dentro da própria sequência arqueológica de Payre. Eles apontam que os dentes das camadas inferiores apresentam formas mais simples, associadas a populações humanas mais antigas, enquanto os das camadas superiores mostram características neandertais mais desenvolvidas.

Conforme o estudo, tais variações podem estar ligadas às intensas mudanças climáticas que ocorreram na Europa durante o Pleistoceno Médio. As alterações de temperatura e ambiente teriam modificado habitats e rotas migratórias, e a consequência disso foi que grupos humanos ficaram isolados por longos períodos.

Os resultados obtidos reforçam a ideia de que a evolução dos neandertais não ocorreu de forma linear, mas sim por meio de diferentes populações regionais que seguiram trajetórias próprias, por mais que compartilhassem um contexto evolutivo comum. Além disso, o trabalho destaca a importância de revisitar coleções fósseis antigas com tecnologias modernas, já que os novos métodos de imagem permitiram acessar informações internas antes invisíveis.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.