Arqueólogos acham cerca de 100 mil vestígios do Brasil Imperial
Em 3 anos de pesquisa, arqueólogos estão descobrindo parte da história do Brasil Imperial na Baixada Fluminense; confira!

No século 19, nos tempos do Brasil Imperial, antes das primeiras linhas de trens, o café e outras culturas agrícolas eram carregados com base na força animal. Mulas, vacas, jumentos e cavalos eram a principal forma de locomoção.
Assim, quanto menor fosse o caminho do interior até a capital do Estado, na época o Rio de Janeiro, mais rápido o lucro viria. Desse modo, uma série de cidades foram construídas na beira dessas estradas a fim de ganhar algum dinheiro com a estadia dos viajantes e cargueiros.
Seja com restaurantes, seja com hotéis, verdadeiros ecossistemas humanos se desenvolveram nesses trajetos. Esse é o caso da Vila de Iguaçu. Mas o que acontece quando o caminho muda? Basicamente a cidade fica sem sua principal fonte de renda e os moradores aos poucos vão para outras regiões. Desse modo, surgiu a Nova Iguaçu.
Porém, a área da Iguaçu Velha ainda tem muito à contar sobre o Brasil Imperial e as dinâmicas durante os tempos do imperador. Acompanhe:
A arqueologia
Há 3 anos arqueólogos ocupam a região velha da cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em suas pesquisas nas áreas de escavação, cerca de 100 mil vestígios arqueológicos foram encontrados.
Dentre os vestígios encontrados, a maioria são cacos de louça da época. Por isso, muitas vezes os historiadores têm que dividir a equipe em um grupo nas escavações, enquanto que o outro se desdobra para juntar os pedaços do que um dia já foi uma louça cotidiana.
Há 200 anos, a região era tão importante que até mesmo o imperador passou por lá. Porém, depois da inauguração das linhas de trem na região, para carregar os insumos agrícolas, pouquíssimas pessoas ficaram na região.
Hoje, o que um dia foi uma potência, se tornou um canto esquecido de Nova Iguaçu. Porém, os arqueólogos mostram que a história da “Velha Iguaçu” não pode ser esquecida. Na verdade, ela deve ressurgir debaixo da terra.
Conforme o Jornal Nacional, muitos dos moradores que ficaram na região têm orgulho e querem contribuir com o estudo do passado. Um dos sítios arqueológicos está no quintal de Allan Ferreira de Lucena, que disse em entrevista: “a gente ia cavar para botar um mourão, às vezes achava um objeto, alguma coisa. Meu pai sempre fez questão de que nós zelássemos por isso. Não, não tira a pedra não, deixa.”
A mudança e os vestígios
Na época, ir até o Rio de Janeiro e ao porto carioca levava em média 60 a 90 dias; mas pela Iguaçu Velha o caminho durava apenas 15 dias. Toda essa ocupação deixou rastros que podem ser vistos no museu inaugurado pela cidade para abrigar esses vestígios.
Desde frascos de pasta de dente vindos de Londres a joias com o símbolo do imperador. Diversos itens estão em exposição por tempo indeterminado ao mesmo tempo em que estão sendo reconstruídos. De todo modo, a história está sendo redescoberta na nossa frente.
*Sob supervisão de Éric Moreira