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Análise de DNA revela grupo neandertal nunca antes descoberto

A partir de análise de DNA, um grupo de cientistas foi capaz de reconstruir o perfil genético de um pequeno grupo de neandertais que viveu há cerca de 100 mil anos

Ilustração de um neandertal - Getty Images

Uma equipe de cientistas conseguiu reconstruir o perfil genético de um pequeno grupo de neandertais que viveu há cerca de 100 mil anos. A descoberta, baseada em DNA extraído de dentes encontrados na caverna de Stajnia, na atual Polônia, oferece uma das imagens mais detalhadas já obtidas de uma possível “comunidade” desses humanos extintos.

Publicado na revista Current Biology, o estudo em questão analisou o DNA mitocondrial de oito dentes pertencentes a pelo menos sete indivíduos. Ao contrário de pesquisas anteriores, que são geralmente baseadas em fósseis isolados ou separados por longos intervalos de tempo, os pesquisadores afirmam ter reunido evidências de um grupo que compartilhou o mesmo espaço e tempo.

Em pelo menos três casos, foram identificados indivíduos com o mesmo DNA mitocondrial, sendo dois jovens e um adulto, o que aponta para vínculos familiares próximos. Como destaca o portal Terra, esse tipo de reconstrução é raro, já que, em geral, os vestígios disponíveis não permitem estabelecer relações diretas entre indivíduos, muito menos dentro de um mesmo grupo social.

Outro aspecto relevante é que o DNA identificado não era exclusivo dessa população. Na verdade, ele pertence a uma linhagem também registrada em neandertais da Península Ibérica, do sul da França e da região do Cáucaso.

O que isso significa?

De acordo com a fonte, esses resultados sugerem que, há cerca de 100 mil anos, essa linhagem estava amplamente distribuída pela Eurásia e que, em algum momento posterior, ela acabou sendo substituída por outro grupo.

Os pesquisadores também compararam os dados com outros fósseis conhecidos, incluindo um espécime encontrado na França com características genéticas semelhantes, datado em cerca de 50 mil anos.

Essa diferença levanta a possibilidade de limitações em métodos tradicionais de datação, como o radiocarbono, especialmente em períodos mais antigos, o que reforça a importância de combinar evidências genéticas e arqueológicas para compreender melhor a história da evolução.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.