Saída das obras de Frida Kahlo do México acende debate no país

Mais de 400 mexicanos profissionais da arte assinaram carta-protesto contra a saída permanente das obras de Frida Kahlo de seu país natal

Auto retrato de Frida Kahlo na fronteira entre México e Estados Unidos de 1932
Auto retrato de Frida Kahlo na fronteira entre México e Estados Unidos de 1932 - Créditos: Getty Images

Mesmo após 70 anos de sua morte, a renomada artista Frida Kahlo segue sendo alvo de polêmicas. Dessa vez, a comunidade de arte do México protestou contra a saída permanente das obras da artista do país.

Com a troca de donos das obras de Frida, o Santander Bank da Espanha anunciou no começo desse ano que tinha chegado a um acordo para levar as obras de Frida até a Espanha.

A exposição no exterior

A questão mais contestada diz respeito ao comunicado oficial emitido, que  não deixa claro o tempo de permanência das obras fora do país. Ou seja, as obras de Frida, conhecidas pela utilização de diversos aspectos culturais mexicanos, poderiam nunca mais voltar.

Conforme a revista Smithsonian, essa consideração fez com que a comunidade entrasse em um debate polêmico sobre a saída ou não das obras de Frida do país. Já que, principalmente dos anos 80 para cá, a artista tem se tornado parte do símbolo nacional.

Assim, quando apresentada a informação de que as obras iriam para a Espanha nesse verão, a comunidade se organizou para fazer uma carta-protesto com a maior quantidade de assinaturas possíveis. Muitos apontaram que sentem falta de transparência em torno da nova gestão e remanejamento da coleção.

O destino de Frida

Desde 1984 o México já classifica o trabalho de Frida Kahlo como monumento artístico nacional. Dessa forma, nenhuma das obras da autora pode sair do país por tempo indeterminado.

Diante dessa lei, que não é flexível, o grupo Santander lançou uma nota esclarecendo que o “passeio” não é definitivo. Na verdade, a projeção é que em 2028 as obras já retornem para o México.

No entanto, apesar de aliviados com a informação, diversos agentes da cultura mexicana constataram o motivo das obras não pertencerem ao Estado mexicano, uma vez dada sua importância.

Apesar de todos esses percalços, em Julho os quadros saem de exposição no México, na preparação para atravessar o Atlântico.


*Sob Supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: