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Estudo aponta locais mais promissores para encontrar água congelada na Lua

Pesquisa indica que gelo da Lua se acumulou por bilhões de anos e destaca crateras sombreadas como áreas-chave para futuras missões espaciais; entenda!

Fotografia recente da superfície lunar com a Terra ao fundo, feita pela missão Artemis II / Crédito: Getty Images

Uma nova pesquisa publicada na revista Nature Astronomy propõe uma mudança significativa na forma como a ciência compreende a presença de água na Lua. Em vez de ter sido depositada por um único evento catastrófico, como o impacto de um grande cometa, a água lunar pode ter se acumulado gradualmente ao longo de bilhões de anos, resultando em uma distribuição mais complexa do que se imaginava.

O estudo, divulgado na última terça-feira, 7, busca responder a uma questão que há décadas intriga cientistas: por que algumas crateras lunares concentram gelo, enquanto outras, aparentemente semelhantes, não apresentam sinais desse recurso. Observações anteriores, feitas por missões da NASA, já haviam identificado a presença de água congelada, especialmente em crateras profundas próximas ao Polo Sul da Lua, regiões que permanecem permanentemente na sombra. Ainda assim, a origem desse gelo e sua distribuição irregular permaneciam sem explicação clara.

De acordo com os pesquisadores, a hipótese de um único evento responsável por toda a água lunar foi descartada. Em seu lugar, ganha força a ideia de um processo contínuo, que teria ocorrido ao longo de cerca de 3 bilhões a 3,5 bilhões de anos. “Parece que as crateras mais antigas da Lua também são as que têm mais gelo”, afirmou Paul Hayne, cientista planetário da Universidade do Colorado em Boulder e coautor do estudo, em comunicado. “Isso implica que a Lua vem acumulando água de forma mais ou menos contínua.”

Embora o trabalho não determine uma única origem para a água, ele aponta diferentes fontes possíveis. Entre elas estão atividades vulcânicas antigas na Lua, impactos de cometas e asteroides e até mesmo o vento solar — fluxo constante de partículas carregadas emitidas pelo Sol. Segundo Hayne, o hidrogênio trazido por esse vento pode reagir com o oxigênio presente na superfície lunar, formando moléculas de água ao longo do tempo.

Independentemente da origem, os cientistas concordam que o gelo tende a se concentrar em áreas conhecidas como “armadilhas frias”. Essas regiões correspondem a crateras que permanecem em sombra permanente, sem receber luz solar direta por bilhões de anos. Nessas condições extremas, o gelo consegue se preservar sem evaporar.

Simulações

Para entender por que algumas crateras acumulam mais gelo do que outras, os pesquisadores recorreram a simulações que reconstroem a evolução da superfície lunar. Utilizando dados do instrumento Diviner, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, a equipe analisou como a inclinação da Lua em relação à Terra variou ao longo do tempo.

Essas mudanças indicam que nem todas as crateras atualmente sombreadas permaneceram assim ao longo de sua história. Algumas passaram por períodos de exposição à luz solar, o que teria dificultado o acúmulo de gelo. A partir dessas simulações, os cientistas identificaram regiões que permaneceram escuras por mais tempo — e, portanto, tiveram maior oportunidade de armazenar água congelada. Segundo o estudo, há uma forte correlação entre essas áreas e os sinais de gelo já detectados.

Entre os locais mais promissores está a cratera Haworth, próxima ao Polo Sul lunar. De acordo com os pesquisadores, ela pode ter permanecido na sombra por mais de 3 bilhões de anos, o que a torna uma das principais candidatas a concentrar grandes quantidades de gelo.

A descoberta tem implicações diretas para futuras missões espaciais. A água na Lua é considerada um recurso estratégico, já que pode ser utilizada tanto para consumo humano quanto para a produção de combustível, a partir da separação em hidrogênio e oxigênio. “Descobrir água além da Terra em forma líquida e utilizável é um dos desafios mais importantes da astronomia”, afirmou Oded Aharonson, autor principal do estudo, também citado no comunicado.

Apesar dos avanços, os cientistas ressaltam que ainda são necessárias análises mais diretas para confirmar as conclusões. A coleta de amostras será fundamental para determinar com precisão a origem da água lunar. Nesse contexto, novos instrumentos já estão em desenvolvimento, repercute a Revista Galileu.

Hayne participa atualmente do projeto do Sistema Compacto de Imagem Infravermelha Lunar (L-CIRiS), que a NASA pretende enviar ao Polo Sul da Lua até o final de 2027. O objetivo é mapear com maior precisão a distribuição de gelo nas crateras, permitindo avanços na compreensão desse recurso e auxiliando no planejamento de futuras explorações.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.