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União é condenada a indenizar ex-aluna da UFF torturada na ditadura

A 19ª Vara Federal do Rio condenou a União a indenizar ex-estudante da UFF por danos morais durante a ditadura militar

Universidade Federal Fluminense - Créditos: Reprodução/UFF

A União foi condenada pela 19ª Vara Federal do Rio a pagar uma indenização por danos morais à ex-estudante de história da UFF, Universidade Federal Fluminense, Zenaide Machado de Oliveira, atualmente com 80 anos.

A indenização deve ser paga decorrente a perseguição e tortura política, que sofreu durante anos, durante o período da ditadura militar. Em 1969, Zenaide foi presa e torturada por agentes do DOI-CODI e foi mantida presa e incomunicável até 1974.

O valor da indenização foi fixada em 100 mil reais, com juros. O advogado do escritório de João Tancredo, Ricardo Dezzani, informou que vai recorrer da decisão da 19ª Vara Federal do Rio, pois considera que há precedentes com valores que devem ser superiores a 300 mil reais.

Tortura na ditadura

Durante os anos que foi mantida presa, Zenaide sofreu torturas como o pau de arara, um dos métodos de tortura mais utilizado na ditadura, que consistia em amarrar os punhos e os tornozelos a uma barra, que era passada por trás dos joelhos, deixando o corpo curvado e suspenso.

Além disso, ela também foi submetida ao método conhecido como “refrigeração”, no qual permanecia nua em uma cela pequena, enquanto aumentavam e diminuíam as temperaturas de forma intensa, explicou O Globo.

Estudantes na ditadura

Em 2025, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania divulgou uma análise do período com o maior número de vítimas da ditadura, entre 1969 e 1978, quando o AI5 estava em vigência e aconteceu a Guerrilha do Araguaia.

Durante esse período foram registradas 351 mortes, das 434 mortes e desaparecimentos políticos. Os estudantes aparecem como a categoria de ocupação mais atingida, representando 32,3% dos assassinatos. Isso demonstra a forte repressão contra a juventude e os movimentos estudantis.