Matérias / Fanny & Alexander

Quatro Oscars e o testamento de Ingmar Bergman: 5 motivos para ver Fanny & Alexander

A obra que o diretor suéco descreveu como seu testamento cinematográfico estreia nesta sexta-feira, 3, na Filmicca

Cena de Fanny & Alexander - Filmicca

De Ingmar Bergman, Fanny & Alexander (1982) estreia nesta sexta-feira, 3, na FILMICCA. Considerado um dos cineastas mais influentes de todos os tempos, o suéco chega à plataforma com o filme mais pessoal de sua carreira e vencedor de quatro Oscars.

A trama acompanha Fanny (Pernilla Allwin) e Alexander (Bertil Guve), dois irmãos que desfrutam de uma infância feliz com os pais, administradores de uma companhia de teatro. Após a morte inesperada do pai, a mãe, Emilie (Ewa Fröling), se casa com Edvard (Jan Malmsjö), um bispo severo e controlador, mergulhando a família em um lar sem alegria. O elenco ainda conta com Gunn Wållgren, Erland Josephson, Harriet Andersson e Gunnar Björnstrand, entre outros.

Mas o que faz de Fanny & Alexander uma obra tão aclamada e a mais pessoal da carreira de Ingmar Bergman? Confira cinco motivos para assistir à obra!


1. O testamento de Ingmar Bergman

Fanny & Alexander é mais do que um simples filme. Considerada a despedida de Bergman dos cinemas, a obra é, nas palavras do próprio diretor, a soma de toda a sua vida nas artes.

Exibido pela primeira vez em Estocolmo em 17 de dezembro de 1982 e, posteriormente, no 40º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro de 1983, o longa reúne a melancolia e a intensidade que marcaram clássicos como Persona (1966) e Sonata de Outono (1978), o transformando em seu testamento cinematográfico definitivo.


2. Uma história baseada em Bergman

O que torna Fanny & Alexander a obra mais pessoal de Bergman é o seu roteiro semi-autobiográfico. Alexander, Fanny e o severo padrasto Edvard são inspirados no próprio diretor, em sua irmã Margareta e em seu pai, Erik Bergman.

Cena de Fanny & Alexander – Filmicca

Dessa fusão entre memória e ficção nasceu o filme que ele escolheu como sua despedida das telas antes de se dedicar ao teatro e à televisão.
A entrega emocional de Bergman no roteiro encontrou resposta imediata do público sueco: Fanny & Alexander se tornou o maior sucesso de bilheteria do diretor em seu país natal.


3. Quatro Oscars

Não foi apenas na Suécia que Fanny & Alexander ganhou reconhecimento. Considerado o melhor filme dos anos 1980 pelo Los Angeles Times, o longa venceu quatro Oscars em 1984: Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia (Sven Nykvist), Melhor Direção de Arte (Anna Asp) e Melhor Figurino (Marik Vos-Lundh), com Bergman acumulando ainda indicações individuais a Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

O reconhecimento se repetiu no Globo de Ouro e no BAFTA, onde o longa venceu Melhor Filme Internacional e Melhor Fotografia, respectivamente. A crítica especializada acompanhou o entusiasmo: o The New York Times descreveu o filme como “uma crônica familiar grandiosa, sombria, bela e generosa”, enquanto a Variety destacou sua elegância e intimidade. Mais de quatro décadas depois, Fanny & Alexander mantém 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.


4. A parceria visual 

Vencedor do Oscar de Melhor Fotografia por Fanny & Alexander, Sven Nykvist manteve uma grande parceria com Ingmar Bergman. Em mais de 20 anos de colaboração, iniciada em Noites de Circo (1953), a dupla sueca criou uma linguagem visual inconfundível. Fanny & Alexander é amplamente considerado o ponto mais alto dessa parceria, com Nykvist entregando um trabalho que mistura calor, sombra e beleza de forma inesquecível.

Nykvist entrou no cinema aos 19 anos como assistente de câmera e construiu uma carreira que o consagrou como um dos maiores diretores de fotografia de todos os tempos. Além de Bergman, colaborou com nomes como Louis Malle e Andrei Tarkovski.

Cena de Fanny & Alexander – Filmicca

Venceu o Oscar de Melhor Fotografia duas vezes: a primeira por Gritos e Sussurros (1974) e a segunda por Fanny & Alexander (1984), ambos de Ingmar Bergman, acumulando ainda uma terceira indicação por A Insustentável Leveza do Ser (1989).


5. Uma experiência épica 

Fanny & Alexander não é apenas um grande filme. É uma história de família, de infância, de perda e de resistência: a de uma mãe que luta para proteger os filhos de um lar sem alegria, e a de duas crianças que precisam encontrar forças em um mundo que deixou de fazer sentido. Com uma riqueza de detalhes permite ao espectador realmente habitar o universo dos Ekdahl, o filme é uma experiência que não termina quando os créditos sobem.