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Estudo encontra evidência mais antiga do tectonismo na Terra

Rochas de 3,48 bilhões de anos encontradas na Austrália indicam que tectonismo existia muito antes do que se imaginava

Tectonismo capa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

A história geológica da Terra pode ter originado o tectonismo muito antes do que os cientistas supunham. Um novo estudo publicado na revista Science encontrou a evidência direta mais antiga já registrada de placas tectônicas em atividade, sugerindo que a crosta terrestre já apresentava deslocamentos há 3,48 bilhões de anos — cerca de 1 bilhão de anos após a formação do planeta.

A descoberta, destacada pela Smithsonian Magazine, foi feita a partir da análise de rochas extremamente antigas da região de Pilbara, na Austrália Ocidental, uma das áreas com os registros geológicos mais antigos do mundo. Os pesquisadores coletaram mais de 900 amostras cilíndricas de rocha em mais de 100 pontos diferentes e analisaram os sinais magnéticos preservados nos minerais.

Origens do tectonismo

Esses minerais, especialmente grãos de magnetita, funcionam como uma espécie de “bússola fóssil”. Quando a rocha se forma, eles registram a orientação do campo magnético terrestre daquele momento. Ao medir essa assinatura magnética, os cientistas conseguem reconstruir a posição e o movimento da crosta ao longo do tempo.

O resultado mostrou que uma porção da formação rochosa de Pilbara se deslocou em direção a um dos polos terrestres durante milhões de anos, a uma velocidade estimada de cerca de 47 centímetros por ano, além de ter sofrido uma rotação superior a 90 graus no sentido horário.

Para os pesquisadores, esse movimento não poderia ser explicado por uma crosta rígida e imóvel. Pelo contrário, o comportamento das rochas sugere que já existiam blocos independentes da crosta terrestre se deslocando uns em relação aos outros, em um processo semelhante ao das placas tectônicas modernas.

A relevância da descoberta vai além da geologia. O movimento das placas é considerado um dos fatores centrais para tornar a Terra um planeta habitável. É esse mecanismo que molda continentes, forma cadeias de montanhas, alimenta vulcões e ajuda a regular o ciclo do carbono, processo essencial para manter temperaturas compatíveis com a existência de água líquida e vida.

Segundo os autores do estudo, a existência de tectonismo tão cedo na história do planeta reforça a hipótese de que a Terra começou a desenvolver condições propícias à vida muito antes do estimado em parte da literatura científica.

Até então, a origem das placas tectônicas era um dos debates mais intensos da geociência. Algumas hipóteses sugeriam que esse processo teria começado apenas há cerca de 700 milhões de anos; outras apontavam para mais de 3 bilhões de anos. A nova pesquisa empurra esse marco ainda mais para trás, oferecendo a evidência física mais robusta já encontrada.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.