O assombroso Hotel del Salto, construído na Colômbia há mais de 100 anos
Envolto em mistérios, o antigo Hotel del Salto funciona hoje como um museu e atrai visitantes interessados tanto em sua arquitetura quanto nas histórias que o cercam

O antigo Hotel del Salto, que abriu as portas como hospedaria em meados da década de 1920, já carrega há décadas a fama de ser assombrado. Hoje transformado em museu, o edifício se ergue diante de uma impressionante cachoeira no Rio Bogotá.
Antes de se tornar hotel, a construção serviu como residência do arquiteto Carlos Arturo Tapias, mas sua conversão em hospedaria marcou o início de uma trajetória repleta de tragédias e relatos sombrios. Dizem que, logo além de suas paredes, nas encostas envoltas por neblina, diversas pessoas teriam saltado para a morte, seja movidas pelo desespero ou influenciadas pelo folclore indígena local.
Mesmo quase um século depois, a região continua atraindo visitantes de diferentes partes do mundo, os quais demonstram interesse tanto em sua arquitetura quanto nas histórias que a cercam.
Entre história e lenda
A construção em questão fica nas proximidades das Cataratas de Tequendama. Como destaca o portal All That’s Interesting, o termo ‘Tequendama’ deriva da língua chibcha e pode ser traduzido como “aquele que precipitou para baixo”. Segundo a tradição do povo Muisca, muitos nativos teriam se lançado das quedas para escapar da captura durante a colonização espanhola no século 16. A lenda diz que, em vez de morrerem, transformavam-se em águias no meio da queda e voavam livres pelos céus.
Outra narrativa indígena conta que a região de Bogotá foi tomada por uma grande inundação, e que os deuses abriram passagem nas montanhas, formando a cachoeira para salvar a população. Até o século 20, a área era rica em biodiversidade, mas intervenções humanas, como a construção de represas e a geração de energia, impactaram o equilíbrio ambiental.
O local é construído
Foi nesse cenário carregado de simbolismo que, em 1923, durante o governo de Pedro Nel Ospina, surgiu a chamada “Mansão das Cataratas de Tequendama”, em San Antonio del Tequendama. Com inspiração na arquitetura francesa e grandes janelas, o projeto refletia o espírito elegante da década de 1920. O espaço rapidamente se tornou palco de eventos luxuosos, até ser ampliado e convertido em hotel poucos anos depois.
O sucesso inicial, no entanto, não resistiu à crise econômica da década de 1930, impulsionada pela Grande Depressão. Planos de expansão ao longo das décadas seguintes não se concretizaram, e a estrutura acabou sendo comprometida, em parte pela poluição crescente do rio.
Declínio e eventos sobrenaturais
Já nos anos 1990, o declínio era evidente. O hotel encerrou definitivamente suas atividades e passou a atrair curiosos, exploradores urbanos e caçadores de fantasmas. Com o abandono, multiplicaram-se os relatos de suicídios e acidentes nas proximidades, o que reforçou a reputação de local amaldiçoado. Alguns, inclusive, chegaram a afirmar que os Muisca teriam lançado uma maldição sobre a área. Assim, histórias de aparições, vozes sussurradas em línguas desconhecidas e até crimes brutais passaram a circular entre visitantes e moradores.
Um dos relatos mais sombrios fala de uma jovem assassinada dentro do hotel, cujo espírito ainda vagaria pelos corredores. Além disso, também se ouviam, durante anos, histórias de gritos vindos do interior do prédio durante a noite, além de acidentes frequentes na estrada de acesso.
Problemas de reputação
Mesmo quando ainda funcionava, o hotel já enfrentava problemas de reputação, pois hóspedes frequentemente se viam envolvidos em investigações relacionadas a mortes nas cataratas. Somado a isso, o estado crítico do Rio Bogotá, considerado altamente poluído, contribuía para a atmosfera inquietante do local.
A reviravolta começou apenas em 2011, quando o Instituto de Ciências Naturais da Universidade Nacional da Colômbia e a Fundação Fazenda Ecológica de Porvenir iniciaram um projeto de restauração. Em vez de retomar sua função como hotel, a proposta foi transformar o espaço em um centro cultural.
Assim nasceu o Museu de Biodiversidade e Cultura das Cataratas de Tequendama, inaugurado oficialmente em 2013. A primeira exposição, dedicada aos ecossistemas subterrâneos, destacou a riqueza ambiental da região e marcou uma nova fase para o edifício. Atualmente, o antigo hotel pode ser visitado durante o dia, até o fim da tarde.