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Submarino seguiu vazando radiação no mar décadas depois de afundar

Pesquisadores perceberam que o submarino da União Soviética estava com uma pluma visível de material radioativo emanado de embarcação naufragada

Submarino - Créditos: Institute of Marine Research

O submarino soviético que está no fundo do mar da Noruega a quase 1.700 metros de profundidade está a mais de três décadas liberando material radioativo de seu reator corroído.

O submarino nuclear K-278 Komsomolets foi construído pela União Soviética durante a Guerra Fria. Após um incêndio a bordo, em 1989, ele afundou, resultando na morte de 42 pessoas.

Com ele afundou um reator nuclear e dois torpedos com ogivas nucleares contendo plutônio, material altamente radioativo e tóxico, informou a Galileu.

O estudo

Nesta segunda-feira, 23, a análise foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. A análise se baseou em dados sonar, vídeo, amostra de água do mar, sedimentos e materiais biológicos coletados perto dos destroços do submarino em julho de 2019.

O estudo indicou a presença de uma pluma visível de material radioativo vazando ao longo de seu casco, um tubo de ventilação e próximo ao reator. Além disso, existiam níveis elevados de radionuclídeos, átomos instáveis que emitem radiação ao ser decompor, e isótopos de plutônio, o que permitiu que eles tivessem certeza de que a fonte de contaminação era o combustível nuclear corroído do reator.

O coautor do estudo, Justin Gwynn, disse ao site Gizmodo que eles ficaram surpresos em ver algo saindo do tubo de ventilação, onde investigações russas anteriores haviam detectado vazamentos.

Apesar de terem encontrado níveis de radiação próximo ao submarino, superiores aos encontrados no oceano, os pesquisadores não detectaram indícios de que esteja afetando a vida marinha ou o ecossistema, visto que, o material se dilui rapidamente no mar.

O site Interesting Engineering destacou que as amostras coletadas não indicam evidências de vazamento de plutônio, confirmando que os reforços de titânio feitos pela Rússia em 1994 ainda possuem eficácia após décadas.

Remoção

Na época, os russos avaliaram que remover o submarino por completo para descartar ele adequadamente iria ser muito caro e arriscado. Além disso, qualquer operação de retirada que possa mover os destroços poderia liberar material radioativo para o mar e para a atmosfera.

Gwynn explicou que qualquer possível liberação para a atmosfera durante uma operação de salvamento pode resultar em contaminação do solo, o que provavelmente teria impacto muito maior e de longo prazo. 

Para entender melhor sobre o vazamento, o especialista acrescentou que gostaria de voltar ao Komsomolets com sua equipe através de submersíveis operados remotamente ou até mesmo tripulados. “Certamente gostaríamos de entender a causa do vazamento visível, mas também entender melhor por que os vazamentos parecem variar ao longo do tempo”, finalizou.

No momento, a prioridade dos pesquisadores não é remover o submarino, mas sim compreender o comportamento do vazamento e descobrir se ele está acelerando à medida que o reator está corroendo.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli