Cabeça romana no México pode reescrever descoberta da América
Descoberta de uma cabeça de terracota em um túmulo intacto levanta a hipótese de contato europeu nas Américas antes de Cristóvão Colombo

A descoberta de uma pequena cabeça de terracota no México reacendeu um intenso debate arqueológico sobre o primeiro contato europeu com o Novo Mundo.
Embora a narrativa histórica tradicional credite esse feito a Cristóvão Colombo em 1492, o artefato encontrado pode antecipar essa chegada em mais de um milênio. Como resultado, a peça conhecida como Cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca levanta sérias questões sobre possíveis viagens transatlânticas na Antiguidade.
Origens da cabeça
Encontrado em 1933, o objeto estava dentro de um sepultamento pré-hispânico selado, datado do final do século 15. Surpreendentemente, isso ocorreu poucos anos antes da chegada de Hernán Cortés à região. Além disso, as feições do homem barbudo esculpido diferem das tradições indígenas mesoamericanas, assemelhando-se fortemente à arte do antigo Mediterrâneo.
Na década de 1960, o arqueólogo alemão Bernard Andreae analisou a escultura e concluiu que ela pertencia ao período Severo do Império Romano, por volta de 200 d.C.
Posteriormente, testes científicos de termoluminescência confirmaram a antiguidade da cerâmica, descartando uma produção recente. Dessa forma, a cronologia estabelecida dificulta a explicação de como o item foi parar em uma sepultura intacta sob múltiplas camadas de terra.
Ceticismo e fraude
De acordo com informações do Daily Mail, apesar das evidências físicas, a comunidade científica mantém cautela diante da descoberta, exigindo provas mais robustas para reescrever a história. Por um lado, os críticos apontam que nenhum outro vestígio romano, como navios ou assentamentos, foi localizado nas Américas.
Consequentemente, pesquisadores céticos sugerem que a cabeça pode ter chegado durante o início da exploração europeia e sido comercializada posteriormente.
Outra hipótese levantada é a de uma fraude arqueológica ocorrida durante as escavações originais da sepultura. Registros documentais indicam que o líder da operação de 1933, José García Payón, nem sempre estava presente no local dos trabalhos. Portanto, essa grave brecha na supervisão deixa em aberto a possibilidade de a peça ter sido plantada deliberadamente no túmulo.
Contato acidental
Em contrapartida, os defensores da autenticidade ressaltam que o contexto selado do achado torna a teoria de contaminação posterior altamente improvável. Paralelamente, ganha força a ideia de um contato transatlântico puramente acidental.
Segundo oceanógrafos, antigas embarcações perdidas do Mediterrâneo poderiam ter sido arrastadas por correntes marítimas poderosas até a costa americana. Nesse cenário hipotético, a carga da embarcação teria sido recuperada por povos locais e incorporada às suas práticas funerárias ao longo do tempo.
Assim como os assentamentos nórdicos provaram contatos pré-colombianos, a Cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca permanece como uma anomalia fascinante que aguarda novas evidências para ser totalmente compreendida.