Formigas são capazes de diferenciar amigas e inimigas; entenda!
Estudos apontam que a formigas são capazes de diferenciar suas amigas e inimiga pela identidade olfativa da sua colônia de origem; entenda!

Em uma pesquisa, os cientistas descobriram que as formigas atualizam seu senso de olfato para identificação de quem pertence ou não à sua colônia.
O estudo foi publicado nesta sexta-feira, 20, na revista Current Biology, com ela foi possível observar que o mecanismo biológico das formigas é mais flexível do que se pensava, as formigas invasoras podem aprender, com exposições repetidas, a se reconhecerem.
Essa pesquisa foi liderada por pesquisadores da Universidade de Rockefeller. Em comunicado, Daniel Kronauer, da instituição, afirmou que esse trabalho é o primeiro passo para descobrir como as formigas fazem essa distinção e acredita que ajudará a orientar experimentos sobre fundamentos neurobiológicos das formigas.
Como funciona
As formigas são capazes de reconhecer suas companheiras no ninho quando estão expulsando parasitas sociais e essa identificação só é possível porque elas se revestem com substâncias cerosas, explicou a Revista Galileu.
Elas utilizam o mesmo composto químico em diversas colônias, mas as semelhanças acabam devido à quantidade de substância que cada formigueiro tem, resultando na produção de “assinaturas odoríferas” para cada população.
Kronauer explicou sobre a mudança dos odores ainda nas colônias. “Talvez a composição genética da colônia mude; talvez influências ambientais alterem o odor da colônia. Talvez a colônia de formigas encontre vizinhos diferentes e agora precise discriminar formigas de certas colônias mais do que de outras”.
Essas alterações intrigaram outros pesquisadores, que gostariam de saber como as formigas conseguem se diferenciar mesmo com tantas mudanças.
Os cientistas utilizaram a formiga invasora clonal (Oocerae biroi), que são capazes de se reproduzirem de forma assexuada, isso permitiu que os pesquisadores produzissem formigas idênticas a partir de linhagens diferentes. Com isso, eles construíram colônias mistas e estudaram como os animais atualizavam os mecanismos de reconhecimento social.
Foi possível analisar que as colônias possuem o mesmo composto químico expelido pela superfície dos organismos, mas os seus indivíduos possuem odores diferentes.
Para confirmar que as formigas atacavam consistentemente genótipos diferentes, os pesquisadores colocaram formigas de outros genótipos em colônias padronizadas e registraram comportamentos agressivos.
Quando formigas jovens, que ainda não possuem suas características químicas desenvolvidas por completo, foram colocadas, o cenário não se repetiu. Segundo os pesquisadores, isso aconteceu porque, durante o desenvolvimento da formiga jovem até a vida adulta elas estiveram expostas à outros indivíduos da população, isso pode ter remodelado o perfil do seu odor e seu comportamento. Depois de um mês, as formigas se assemelhavam quimicamente às suas colônias adotivas.
A equipe percebeu que essa alteração tem limite, visto que o odor característico pode ser alterado com o convívio, mas o senso de identidade se mantém mesmo se for separada de seus parentes no estágio do ovo, elas ainda seriam capazes de reconhecer.
Além disso, ela observaram que, com o tempo, o perfil químico das formigas retorna às suas proporções originais, as fazendo virar alvo novamente para as formigas da colônia na qual foi introduzida.
*Sob supervisão de Éric Moreira