Cão desenterra garrafa possivelmente ligada a crime da Era Vitoriana na Inglaterra
Garrafa encontrada em jardim pode ter relação com envenenamento de 1865 que terminou em execução pública histórica na Inglaterra vitoriana

Um achado inusitado no interior da Inglaterra pode reacender o interesse por um dos crimes mais conhecidos da era vitoriana. Em Devon, o morador Paul Phillips, de 49 anos, afirma que seu cão de estimação encontrou um objeto que pode estar ligado ao assassinato de William Ashford, ocorrido em 1865. A descoberta foi feita na localidade de Clyst Honiton, onde o animal desenterrou uma garrafa de vidro azul no quintal da residência.
Segundo Phillips, o labrador Stanley demonstrava interesse recorrente por um ponto específico do jardim, retornando repetidamente ao local mesmo após intervenções para reparar os danos causados pelas escavações. Foi em uma dessas ocasiões que o animal trouxe à superfície o frasco, que possui a inscrição “Proibida a entrada”. Ao limpar o objeto, o dono afirmou ter se lembrado de um antigo caso de envenenamento ocorrido na região. “Achei algo realmente interessante e bonito quando limpei e me lembrei de algo sobre o assassinato.”
A partir disso, Phillips iniciou uma pesquisa e encontrou referências ao caso de Mary Ann Ashford, condenada pela morte do marido por envenenamento com arsênico. De acordo com relatos históricos, o crime teria sido motivado por um relacionamento extraconjugal da acusada, que pretendia se livrar do marido para ter acesso à herança e iniciar uma nova vida. “Pesquisei na internet e encontrei informações sobre Clyst Honiton e o enforcamento de Mary Ann. Não sei dizer por que foi enterrada aqui, e uma garrafa como essa teria sido muito útil para diversas coisas, mas que motivo teriam para enterrá-la? Poderia ter sido a garrafa que ela usava.”
A investigação informal levou Phillips a concluir que sua casa pode estar localizada próxima à antiga residência do casal. “Acreditamos que moramos ao lado da propriedade onde William e Mary Ann Ashford residiam em 1865. Acredito que o rapaz com quem ela tinha um caso trabalhava na padaria local, e costumava haver uma na rua em frente à propriedade.” Segundo ele, buscas online também indicaram que o objeto encontrado corresponde a um tipo de frasco utilizado para armazenar substâncias tóxicas, comum a partir de meados do século 19.
Enforcamento de Mary Ann
O caso Ashford ganhou notoriedade à época não apenas pelo crime em si, mas também por seu desfecho. Mary Ann foi considerada culpada de “assassinato por envenenamento por arsênico” e julgada no Tribunal de Assizes de Devon, em março de 1866. Conforme relatos, o júri levou apenas alguns minutos para chegar ao veredicto. A execução ocorreu em Exeter, diante de uma multidão estimada em 20 mil pessoas.
A forma como a execução foi conduzida também teve repercussão significativa. Segundo registros, o enforcamento foi mal executado, resultando em uma morte que se prolongou por vários minutos. O episódio teria contribuído para a crescente oposição às execuções públicas na Inglaterra, prática que seria abolida ainda na década de 1860, repercute o The Guardian.
Apesar da coincidência entre o objeto encontrado e os relatos históricos, não há confirmação de que a garrafa esteja de fato relacionada ao crime. Ainda assim, a descoberta levanta novas questões sobre o caso e destaca como vestígios do passado podem surgir de maneira inesperada, reacendendo o interesse por episódios marcantes da história criminal britânica.