Cabeça de touro de 2 mil anos é encontrada por acaso na Espanha
Descoberta por um andarilho em Mallorca, pequena escultura de touro em bronze pode revelar práticas religiosas e culturais

A descoberta casual de uma rara cabeça de touro nas montanhas da ilha de Mallorca, na Espanha, chamou a atenção da comunidade arqueológica. Durante uma trilha na região da Serra de Tramuntana, um caminhante encontrou o pequeno objeto metálico que, mais tarde, seria identificado como uma pequena escultura em bronze com mais de 2 mil anos de idade.
A peça, com apenas cerca de 3 centímetros de comprimento, foi datada entre 550 e 123 a.C., período conhecido como pós-talayótico — fase que marca o desenvolvimento de sociedades pré-romanas nas Ilhas Baleares. Apesar do tamanho reduzido, o artefato impressiona pela riqueza de detalhes: olhos, focinho, orelhas e chifres foram esculpidos com precisão, indicando alto nível técnico dos artesãos da época.
Cabeça de touro
Especialistas acreditam que a cabeça de touro não era um objeto isolado, mas parte de uma estrutura maior. Um pequeno orifício na parte traseira sugere que ela poderia ter sido fixada em outro elemento — talvez uma estátua, um ornamento ritual ou até mesmo um objeto cerimonial.
A descoberta também chama atenção por sua raridade. Segundo arqueólogos, este é o primeiro artefato do tipo encontrado na ilha em cerca de 50 anos. Há registros de apenas três peças semelhantes em Mallorca — todas atualmente desaparecidas — o que torna o achado ainda mais significativo para o estudo da região.
Além do valor material, o objeto carrega forte simbolismo. Na cultura mediterrânea antiga, o touro era associado à fertilidade, força e ciclos da natureza, frequentemente ligado a rituais religiosos e práticas comunitárias. A semelhança da peça com esculturas maiores encontradas anteriormente na região, como as famosas cabeças de touro de Costitx, reforça a hipótese de que esses artefatos tinham função espiritual ou ritualística.
Após a descoberta, o artefato foi entregue às autoridades locais e encaminhado para análise. Pesquisadores agora pretendem estudar sua composição e contexto arqueológico com mais profundidade — e até realizar escavações na área onde foi encontrado, na expectativa de localizar outros vestígios do passado.