Arqueólogos descobrem esculturas gregas naufragadas em navios ingleses
Arqueólogos subaquáticos recuperaram, do naufrágio do navio “Mentor” de Lord Elgin, mais esculturas de mármore retiradas do Parthenon na Grécia

O Ministério da Cultura da Grécia anunciou os resultados da mais recente expedição submarina que realizou em busca dos destroços e resquícios do navio “Mentor” do Lord inglês Elgin.
Entre os materiais recuperados está um possível fragmento de mármore do Parthenon e evidências históricas de bens dos marinheiros da embarcação.
A expedição recente
O arqueólogo chefe, Dimitris Kourkoumelis, liderou uma equipe multidisciplinar de arqueólogos, biólogos marinhos, engenheiros e especialistas em conservação para investigar o naufrágio histórico.
A equipe realizou duas escavações ao longo dos restos do casco do navio, que fica no fundo do mar a uma profundidade de 23 metros da superfície. A fim de encontrar restos do navio e dos pertences nele afundados.
Encontraram roupas, equipamentos militares, casco do navio e seu revestimento, utensílios de navegação entre outras coisas. Mas o que mais chama atenção foi uma relíquia grega encontrada.
A peça tinha em torno de 10 centímetros de tamanho e apresenta uma gota decorativa esculpida, podendo ter sido um elemento arquitetônico, por exemplo, epistílio ou cornija, possivelmente, integrante do próprio Partenon, aponta a página Greece Is.
O naufrágio inglês
O navio foi uma operação comissionada pelo Conde de Elgin (Thomas Bruce) e o embaixador britânico do Império Britânico em 1802. Nessa controversa operação, esculturas eram removidas das Acrópoles Atenienses para serem enviadas até o Reino Unido.
Porém, ao sair da ilha de Kythira, no mar Egeu, e em uma violenta tempestade a caminho de Malta, o navio afundou perto do porto de Avlemonas. Junto dele, escritos e métopas inteiras com histórias da Mitologia Grega também foram perdidos.
Um navio costeiro conseguiu resgatar toda a tripulação. Mas as inestimáveis 17 caixas com antiquários afundaram.
Lord Elgin imediatamente contratou os “mergulhadores de esponjas” das ilhas de Simi e Kalymnos para recuperarem as relíquias dos destroços. Após a recuperação das peças ele as levou até a Inglaterra e as vendeu para o Museu Britânico de Londres em 1816.
Desde 1817, 17 figuras de mármore dos frontões leste e oeste do Partenon, 15 das 92 métopas originais e 75 metros do friso de 160 metros de comprimento estão em exibição no Museu Britânico.
Objetos de disputa
A revista Live Science aponta que, apesar das tentativas de recuperação, a Grécia não consegue recuperar essas obras sob a premissa que o Império Otomano, que dominava a região na época, “autorizou” sua remoção. Os gregos, por sua vez, alegam que era um domínio forçado sobre seu governo, e que, portanto, a liberação não é válida.
Em 2021, novas conversas sobre a devolução desses itens soaram, mas devido as leis do Reino Unido que impedem o Museu Britânico de transporte de quaisquer artefatos sem autorização estatal, o caso ainda continua pendente.
*Sob supervisão de Éric Moreira