Marinha investiga afundamento parcial de navio histórico em Santos
O histórico navio W. Besnard tombou no cais de Santos após possível furto; a Marinha abriu inquérito para apurar causas do afundamento parcial

A Marinha do Brasil instaurou um inquérito administrativo para investigar o afundamento parcial do navio oceanográfico Professor W. Besnard. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira, 13, no cais do Parque Valongo, localizado no Porto de Santos, no litoral paulista.
Com isso, as autoridades locais precisaram isolar a área para evitar maiores acidentes no local.
Resgate e segurança
Diante da emergência, uma equipe especializada instalou um cerco de contenção ambiental e reforçou as amarrações da embarcação. Segundo Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos, a prioridade absoluta é garantir a segurança do canal de navegação. Portanto, a estrutura submersa será obrigatoriamente retirada e transportada para um estaleiro próximo.
Além disso, Pomini destacou que a empresa pública buscará o apoio urgente da comunidade portuária para viabilizar a recuperação estrutural.
Dessa forma, caso as condições técnicas e financeiras permitam, o objetivo final é restaurar completamente o patrimônio histórico. No entanto, se o reparo total for inviável, partes originais do casco deverão ser preservadas como atração turística
Causa do incidente
Segundo o UOL, as investigações preliminares apontam que um furto de fiação pode ter desencadeado o grave problema no cais santista. Por conta desse crime, o fornecimento de energia elétrica teria sido interrompido, paralisando uma bomba de sucção essencial. Em seguida, a água invadiu rapidamente o casco, o que destruiu a estabilidade e causou o tombamento parcial.
Apesar da complexidade do cenário, as autoridades marítimas já confirmaram que não houve qualquer registro de vítimas ou poluição. Sendo assim, o navio permanece assentado no fundo do leito marinho, totalmente estabilizado e sem apresentar risco de vazamento.
Legado oceanográfico
Projetada no Brasil e construída na Noruega em 1966, a embarcação possui um legado científico de imenso valor nacional. O seu nome homenageia o biólogo Wladimir Besnard, que atuou como o primeiro diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Ao longo de quatro décadas, o navio liderou com sucesso mais de 150 grandes expedições de pesquisa. Entre seus maiores marcos históricos, destaca-se o ineditismo de ter realizado a primeira viagem oficial brasileira rumo à Antártida.
Atualmente, o equipamento pertence ao Instituto do Mar e estava inativo desde 2008 enquanto aguardava verbas para revitalização. Por fim, o futuro desse importante símbolo da ciência agora depende da complexa operação de içamento que será coordenada em breve.
*Sob supervisão de Éric Moreira