Estudo liga câncer a ‘Efeito Breaking Bad’, com alta de 14% em crimes
Estudo apontou que o impacto na renda e o profundo choque emocional gerados pelo câncer levam a um aumento na taxa de crimes; entenda!

Receber a confirmação de uma doença oncológica gera profundos impactos emocionais, físicos e financeiros na vida dos pacientes.
É a partir disso, que uma pesquisa recente publicada na revista American Economics Journal: Applied Economics revelou um dado estatístico surpreendente: o diagnóstico de câncer pode aumentar em até 14% as chances de uma condenação criminal.
Esse fenômeno peculiar foi apelidado pelos próprios autores do estudo de “efeito Breaking Bad“.
Realidade versus ficção
A analogia do estudo faz referência direta ao personagem fictício Walter White, vivido pelo renomado ator Bryan Cranston, que começa a fabricar drogas para garantir o futuro da família após descobrir um tumor incurável.
De acordo com informações da revista Galileu, a realidade é bem menos cinematográfica. Na prática, os delitos reais costumam ser infrações menores, como pequenos furtos no comércio local e a posse de substâncias ilícitas.
Para validar essa hipótese, os cientistas realizaram um cruzamento minucioso de dados de saúde e registros criminais de 368.317 dinamarqueses diagnosticados entre 1980 e 2018. Em seguida, compararam esses perfis com um grupo de controle composto por pessoas saudáveis.
Curiosamente, no primeiro ano de tratamento, as taxas de criminalidade caem de forma drástica, pois terapias exaustivas como rádio e quimioterapia mantêm os pacientes constantemente hospitalizados.
Impactos e fatores de risco
Entretanto, o cenário sofre uma reviravolta a partir do segundo ano após a detecção do tumor. A probabilidade de os pacientes cometerem atos ilícitos cresce de maneira significativa, estabilizando-se apenas por volta do quinto ano.
Segundo as análises, a queda na renda familiar e a escassez de oportunidades no mercado de trabalho são os principais motores desse desvio súbito de conduta.
Mesmo em países que oferecem tratamento gratuito, o desespero financeiro afeta profundamente a subsistência geral do núcleo familiar. Por outro lado, os pesquisadores também identificaram um leve aumento em crimes violentos, sugerindo que o fator psicológico tem um grande peso.
Diante da iminência de uma morte prematura, o medo das punições legais e das consequências a longo prazo simplesmente desaparece da mente de alguns indivíduos.
Por fim, o levantamento destacou a importância de uma rede de apoio sólida para proteger essas populações em estado vulnerável. Dessa forma, locais que sofreram cortes em programas de assistência social registraram os maiores picos de criminalidade entre os doentes.
Consequentemente, garantir amparo econômico e psicológico contínuo se mostra fundamental para suavizar esse reflexo negativo na sociedade.
*Sob supervisão de Éric Moreira