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Cientistas descobrem por que algumas supernovas brilham 100 vezes mais que o normal

Cientistas descobrem por que algumas estrelas morrem com um brilho 100 vezes maior que o comum; entenda o papel do magnetar nesse processo cósmico

Representação artística de um magnetar - Joseph Farah/Curtis McCully

Um dos maiores enigmas da astrofísica contemporânea parece finalmente ter sido solucionado. Pesquisadores identificaram que o brilho extremo das supernovas superluminosas é impulsionado por um magnetar, um remanescente estelar compacto e com campo magnético poderoso.

O estudo, publicado na revista Nature, na quarta-feira, 11, analisou uma explosão ocorrida em uma galáxia a um bilhão de anos-luz da Terra. Detectada originalmente em 2024, a supernova foi monitorada pelo Observatório Las Cumbres e pelo telescópio ATLAS. 

Segundo o doutorando Joseph Farah, principal autor da pesquisa, o magnetar atua como um motor interno que amplifica a luz do evento.

Dessa forma, o objeto captura partículas carregadas enquanto gira centenas de vezes por segundo. Posteriormente, ele as lança contra a nuvem de detritos da estrela morta, gerando uma luminosidade que pode superar a de toda a Via Láctea combinada.

Esse fenômeno ocorre quando o núcleo de uma estrela massiva colapsa, mas não possui massa suficiente para se tornar um buraco negro.

Oscilações no espaço-tempo

Além do brilho intenso, os cientistas explicaram as variações de luz observadas ao longo de meses. Segundo o astrofísico Andy Howell, coautor do trabalho, essas oscilações derivam da precessão de Lense-Thirring. Esse efeito distorce o tecido do espaço-tempo devido à rotação frenética do magnetar central.

De acordo com informações da CNN Brasil, a força gravitacional atrai material estelar e forma um disco que oscila ao redor do núcleo. Essa movimentação faz com que a transferência de energia para a supernova varie, criando “ondulações” visíveis no brilho. O achado confirma uma hipótese proposta em 2010, consolidando o papel dos magnetares nesses eventos raros.

Gigantes do cosmos

Embora a estrela original ainda não tenha sido totalmente dimensionada, estima-se que ela fosse dezenas de vezes mais massiva que o Sol. Farah enfatiza que uma supernova comum já é bilhões de vezes mais brilhante que nossa estrela hospedeira. 

No caso das superluminosas, esse poder destrutivo e luminoso é multiplicado por até 100 vezes, representando os eventos mais energéticos do universo conhecido.


*Sob supervisão de Éric Moreira