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Estudo diz que olhos foram originados por ancestral “ciclope”

Pesquisa sugere que os olhos em vertebrados remontam a um animal ancestral com um único olho em sua anatomia

Imagem ilustrativa de olho
Imagem ilustrativa de olho - Foto de LhcCoutinho, via Pixabay

Uma pesquisa internacional recente, promovida pela Universidade de Lund, oferece uma nova perspectiva sobre a origem evolutiva dos olhos em vertebrados, incluindo os humanos. O trabalho científico aponta para um ancestral marinho que viveu há cerca de 600 milhões de anos e possuía um único órgão sensível à luz no topo da cabeça — um precursor possível tanto dos olhos laterais quanto da glândula pineal nos vertebrados modernos.

O estudo analisou dados comparativos sobre células fotorreceptoras e estruturas sensoriais em diversos grupos de animais. Ao observar semelhanças moleculares e padrões genéticos, os cientistas reconstruíram como órgãos de percepção de luz podem ter passado de uma forma simples para as complexas estruturas visuais que conhecemos hoje, capazes de formar imagens detalhadas.

Olhos dos vertebrados

Segundo essa hipótese, o primeiro antepassado dos vertebrados teria perdido seus olhos laterais em algum ponto de sua evolução primitiva. Em vez disso, manteve um único órgão mediano sensível à luz, situado no topo do corpo, que servia para detectar variações básicas de luminosidade — por exemplo, distinguir entre dia e noite ou perceber mudanças sutis no ambiente.

Com o tempo, e à medida que as espécies ancestrais se adaptaram a estilos de vida mais ativos — como nadar em ambientes mais abertos ou caçar presas — esse órgão evoluiu de forma divergente. Partes dele teriam se duplicado e se especializaram em estruturas capazes de formar imagens mais detalhadas, levando à origem dos órgãos visuais bilaterais (os dois olhos) presentes em vertebrados atuais.

Um aspecto fascinante dessa proposta é que a glândula pineal — um pequeno órgão profundo no cérebro que regula ciclos de sono e produção hormonal — pode ser um vestígio funcional desse olho ancestral: um resquício de uma estrutura que originalmente servia para captar luz. Hoje, a pineal ainda responde indiretamente à luz e influencia ritmos biológicos como o ciclo circadiano.

Essa hipótese contrasta com modelos anteriores que viam os olhos como tendo evoluído independentemente em cada linhagem animal ou de forma paralela. Em vez disso, a presença de um olho mediano ancestral sugere que, dentro do grupo dos vertebrados, a visão pode ter um ponto de origem mais unificado e remoto.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.