Antártica perdeu 8x a região de Londres em área, diz estudo
Estudo com dados de satélite mostra redução significativa de gelo terrestre, sinal de mudanças climáticas persistentes na Antártica

Um novo estudo abrangente de dados de satélite que monitoram o gelo antártico ao longo de mais de três décadas revelou que a Antártica perdeu uma enorme quantidade de gelo terrestre desde meados da década de 1990. A área de gelo derretida — equivalente a 8 vezes o tamanho da área metropolitana de Londres — mostra que mesmo que grande parte da plataforma de gelo permaneça estável, as regiões vulneráveis estão recuando em um ritmo preocupante.
A pesquisa, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences e repercutida pela Agência Espacial Europeia, combinou três décadas de registros de satélite para traçar mudanças na chamada linha de base do gelo — a área em que o gelo marinho e terrestre se apoia no leito abaixo do nível do mar. Enquanto 77% da costa antártica não mostrou mudança acentuada desde 1996, cerca de 23% experimentou retração, com áreas como o Oeste da Antártica, a Península Antártica e partes da Antártica Oriental mais profundas sendo as mais atingidas.

Os cientistas estimam que aproximadamente 12,820 km² de gelo terrestre foram perdidos ao longo dos 30 anos analisados — uma área equivalente a quase 5,000 milhas quadradas. Isso corresponde a uma perda de gelo equivalente a 10 vezes a área de Los Angeles, um marco impressionante que indica mudanças contínuas no equilíbrio entre acúmulo e derretimento de gelo na região.
Perda de gelo na Antártica
A Antártica abriga a maior parte da água doce congelada do planeta, e mesmo pequenos recuos na camada de gelo podem contribuir para o aumento do nível do mar global. Observações de satélite conduzidas nos últimos anos, como os dados do programa GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment), mostram que entre 2002 e 2023, a Antártica perdeu em média cerca de 135 a 150 bilhões de toneladas métricas de gelo por ano, com essa perda contribuindo para a elevação dos mares.
A dinâmica do gelo antártico é complexa: fatores como temperatura do ar e do oceano, correntes marítimas mais quentes alcançando as bases das plataformas de gelo e até mudanças nos padrões de vento podem influenciar a estabilidade das geleiras. Regiões como o Mar de Amundsen, no Oeste da Antártica, são particularmente suscetíveis porque suas plataformas de gelo estão em contato com águas mais profundas e quentes, acelerando a retirada de massa de gelo.