Processo diz que Michael Jackson teria abusado de menino nas casas de Elton John e Elizabeth Taylor
Um dos irmãos que acusam Michael Jackson de abuso alega que as agressões teriam sido cometidas durante viagens e visitas a propriedades de amigos famosos do cantor

Os responsáveis pelo espólio de Michael Jackson estão sendo acionados judicialmente por quatro irmãos que afirmam ter sofrido abusos sexuais do cantor ao longo de mais de uma década, quando ainda eram crianças. Os autores da ação são Edward, Dominic, Marie-Nicole e Aldo Cascio.
Filhos de Dominic Cascio Sr., apontado como amigo próximo do artista, os irmãos ingressaram com o processo no Tribunal Federal do Distrito Central da Califórnia, conforme noticiado pelo jornal Los Angeles Times. A ação foi protocolada na última sexta-feira, 27, e inclui acusações de aliciamento de menores (grooming), uso de drogas, estupro e outras formas de violência sexual, supostamente ocorridas durante mais de dez anos, a partir de quando alguns deles tinham cerca de 7 anos.
Edward Cascio, conhecido como Eddie, alega ter sido abusado durante viagens e visitas a propriedades de amigos famosos do cantor, incluindo a atriz Elizabeth Taylor e o músico Elton John. Segundo o relato, os episódios teriam ocorrido tanto na Suíça quanto no Reino Unido.
De acordo com a reportagem, os Cascio eram tratados como uma “segunda família” ou até como a “família secreta” do astro pop. Eles viajavam com Jackson em turnês internacionais, passavam férias ao seu lado e frequentavam sua residência em Santa Barbara, o Rancho Neverland. O processo sustenta que os abusos teriam ocorrido em diversas dessas ocasiões, inclusive na propriedade do cantor.
Como destaca o portal Monet, a ação também afirma que Jackson utilizava expressões supostamente codificadas, como “posso ter uma reunião?”, “chá Yogi”, “Neverland” e “ir para a Disneylândia“, para incentivar as crianças a participarem de atos sexuais. Os irmãos relatam ainda que recebiam bebidas alcoólicas com apelidos criados pelo cantor, como “Suco de Jesus” para vinho e “Suco da Disneylândia” para destilados. Eles também alegam que foram drogados. O processo inclui acusações de exibição de material pornográfico e imagens de crianças nuas.
Equipe teria acobertado abusos
Segundo os autores, integrantes da equipe de Jackson teriam colaborado para encobrir os abusos. Os pais das crianças, que frequentemente acompanhavam as viagens, eram acomodados em quartos distantes dos ocupados pelos filhos, o que, de acordo com a denúncia, facilitava a suposta conduta do artista.
As primeiras acusações públicas de abuso sexual contra Jackson vieram à tona no início dos anos 1990. Ainda conforme o Los Angeles Times, os irmãos Cascio permaneceram em silêncio por anos devido a um acordo de confidencialidade firmado com o espólio do cantor. O documento previa o pagamento de cinco parcelas anuais de aproximadamente US$ 690 mil a cada um deles, como compensação pelos alegados abusos e por um suposto acobertamento promovido pela organização ligada ao artista.
Agora, os irmãos afirmam que o valor é insuficiente e que foram pressionados a assinar o acordo em 2019 sem plena compreensão de seus direitos legais. Eles pedem a anulação do contrato e o pagamento de indenização pelos anos de abuso.
Marty Singer, advogado que representa a família Jackson e o espólio, disse que a ação seria uma “tentativa desesperada de conseguir dinheiro”. Ele também declarou que, por mais de 25 anos, a família Cascio teria defendido publicamente a inocência do cantor, o que, em sua visão, contrastaria com as acusações atuais.