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Primeiros fósseis de pelicossauros do Brasil são descobertos no Piauí

Descoberta inédita no Piauí é o primeiro registro dos pelicossauros no Brasil; fósseis são datados de 280 milhões de anos atrás

Fósseis de pelicossauros / Crédito: Arquivo/Juan Carlos Cisneros

Os primeiros fósseis de pelicossauros já identificados no Brasil foram encontrados no interior do Piauí por uma equipe coordenada pelo professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Carlos Cisneros. A descoberta, considerada inédita no país e no antigo supercontinente Gondwana, foi detalhada em artigo publicado na revista científica Journal of Vertebrate Palaeontology.

Os dois registros fósseis foram localizados em 2018, em municípios diferentes do estado. Um osso maxilar foi encontrado em Nazária (PI), enquanto uma vértebra foi identificada em Palmeirais (PI). De acordo com o estudo, os materiais têm cerca de 280 milhões de anos e pertencem ao Período Permiano, na Era Paleozoica.

Fóssil de maxilar de pelicossauro descoberto no Piauí / Crédito: Divulgação

Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro registro desses animais no Brasil e também no território que integrava o supercontinente Gondwana, que reunia terras do Hemisfério Sul. Até então, fósseis de pelicossauros haviam sido encontrados apenas na América do Norte e na Europa.

“Os pelicossauros eram componentes importantes dos ecossistemas pretéritos. Eles foram os primeiros vertebrados herbívoros e carnívoros de grande porte nos ambientes terrestres, o que pavimentou o caminho para os nossos modernos ecossistemas, onde hoje predominam mamíferos com essas características. Até hoje, os pelicossauros tinham sido apenas descobertos na América do Norte e na Europa”, explicou o professor e paleontólogo Juan Carlos Cisneros.

Os pelicossauros viveram no mesmo intervalo geológico da Floresta Fóssil do Rio Poti, localizada em Teresina, também no Piauí. A nova descoberta amplia o conhecimento sobre a fauna que habitava a região durante o Permiano, período marcado por importantes transformações nos ecossistemas terrestres.

Fóssil de vértebra de pelicossauro descoberto no Piauí / Crédito: Divulgação

Atraso no estudo

Vale mencionar que o estudo que descreve os fósseis levou anos até ser concluído. De acordo com Cisneros, o processo envolveu análises detalhadas e comparações com materiais de outras partes do mundo, o que demandou tempo e deslocamentos da equipe.

“A pandemia atrasou um pouco, mas também é que temos muitos fósseis sendo estudados. Os estudos são complexos, sempre demoram meses ou anos. É necessário viajar, visitar outros museus para comparar com os fósseis encontrados em outras partes do mundo”, afirmou.

Além de Cisneros, participaram da pesquisa os cientistas Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Roger M. H. Smith, Claudia A. Marsicano, Jason D. Pardo e Martha Richtr. O trabalho contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária, repercute a CNN Brasil.

Com a identificação dos fósseis, o Piauí passa a integrar o mapa global de ocorrências de pelicossauros, reforçando a relevância paleontológica da região e contribuindo para a compreensão da distribuição desses vertebrados no passado remoto da Terra.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.