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Árvores emitem brilho ultravioleta durante tempestades nos EUA

Pesquisa inédita registra pela primeira vez fenômeno invisível a olho nu e revela que árvores podem emitir luz

árvores UV capa
Árvore dispersa raios UV à noite - Divulgação/William Brune

Uma equipe de cientistas registrou pela primeira vez, em ambiente natural, um fenômeno fascinante e até então apenas observado em laboratório: árvores emitindo um brilho ultravioleta no topo de suas copas durante tempestades elétricas nos Estados Unidos. O fenômeno, chamado de descargas corona, foi capturado por pesquisadores enquanto tempestades se formavam sobre florestas na costa leste dos EUA, fornecendo evidências diretas de algo que a ciência já suspeitava há décadas.

O estudo, publicado em 12 de fevereiro na revista científica Geophysical Research Letters, documenta que, sob condições de forte atividade elétrica na atmosfera, uma carga induzida no solo pode subir pelos troncos até as folhas das árvores. Ao alcançar as partes mais pontiagudas das folhas ou agulhas, essa eletricidade é descarregada em pequenos pulsos que emitem luz em comprimentos de onda ultravioleta — invisíveis às pessoas, mas detectáveis com equipamentos especializados.

Brilho nas árvores

Para observar o fenômeno, os pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia adaptaram uma minivan com diversos instrumentos científicos, incluindo um detector de campo elétrico, um telêmetro a laser e uma câmera sensível à luz ultravioleta posicionada em um periscópio no teto do veículo. Durante tempestades no verão de 2024, eles seguiram sistemas de tempestades desde a Flórida até a Pensilvânia em busca das assinaturas elétricas nas copas das árvores.

Em uma das tempestades monitoradas em Pembroke, Carolina do Norte, a equipe observou dezenas de pequenas emissões de luz que duraram apenas alguns segundos. Esses flashes pareciam “saltar” entre folhas vizinhas e foram captados em várias espécies de árvores, incluindo pinheiros e árvores de folhas largas. Os pesquisadores estimam ter detectado cerca de 41 eventos desse tipo em um período de pouco mais de uma hora.

Embora o brilho seja extremamente fraco e imperceptível ao olho humano – exigindo uma câmera UV para ser registrado – a descoberta confirma que as coronas não se limitam a experiências controladas em laboratório, mas também acontecem na natureza. A equipe sugere que, se pudéssemos ver em ultravioleta, as copas das árvores durante uma tempestade poderiam parecer um espetáculo de luzes cintilantes.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.