Donald Trump nomeia secretário de extrema-direita para supervisionar o Brasil
Secretário de extrema-direita abertamente crítico do governo brasileiro foi nomeado pelo presidente Donald Trump para atuar como "conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil"

O secretário de Estado adjunto interino para Assuntos Educacionais e Culturais dos Estados Unidos, Darren Beattie, crítico declarado do atual governo brasileiro, foi designado pelo presidente Donald Trump para atuar como consultor sênior responsável por acompanhar temas relacionados ao Brasil.
A informação foi divulgada pela agência Reuters, que ouviu fontes e confirmou a nomeação com um alto funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo essa fonte, “Beattie atualmente atua como conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil”.
De acordo com a reportagem, a escolha sinaliza que as relações entre os dois países seguem sensíveis, apesar de movimentos recentes de reaproximação, e indica que Washington mantém atenção especial sobre o cenário brasileiro. A agência afirma que os EUA não deixaram de manifestar supostas preocupações relacionadas à liberdade de expressão no país nem consideram totalmente superadas as divergências com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A revelação acrescenta um novo elemento de tensão ao contexto diplomático, especialmente porque Lula planeja viajar aos Estados Unidos em março para um encontro com Trump.
O Ministério das Relações Exteriores não respondeu de imediato ao pedido de posicionamento feito pela Reuters. O portal Metrópoles, que veiculou a informação, declarou que também procurou o Itamaraty e a Presidência da República e aguarda retorno.
Controvérsias envolvendo Beattie
Beattie já havia se envolvido em polêmicas anteriormente. Em 2018, foi demitido do cargo de redator de discursos da Casa Branca após participar de um evento com presença de nacionalistas brancos. Ele também recebeu acusações de racismo e sexismo por declarações nas redes sociais defendendo que “homens brancos competentes devem estar no comando” para que as coisas funcionem.
Além disso, em agosto do ano passado descreveu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração, feita em rede social, levou o governo brasileiro a convocar o principal diplomata norte-americano em Brasília para prestar esclarecimentos.