Arquivos de Epstein podem ter omitido acusações contra Trump
Análise indica que entrevistas relacionadas a acusações de agressão sexual contra o presidente Donald Trump não aparecem nos documentos

Autoridades e membros do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA estão investigando relatos de que o Departamento de Justiça (DoJ) pode ter retido ou omitido documentos ligados a Donald Trump no conjunto de arquivos públicos relativos ao caso do financista condenado por abuso sexual e tráfico de menores Jeffrey Epstein. A descoberta de “lacunas” no material divulgado ocorre após uma lei aprovada em 2025 exigir a liberação de milhões de páginas de registros do caso.
Segundo a CNN, uma análise desses arquivos revelou que dezenas de depoimentos de testemunhas que integravam o acervo do FBI parecem estar ausentes, incluindo entrevistas de mulheres que fizeram acusações de agressões — e em três desses casos, elas envolveriam diretamente o presidente dos Estados Unidos.
As alegações omitidas nas páginas faltantes envolvem um relato de que Trump teria agredido sexualmente uma mulher décadas atrás, quando ela ainda era menor de idade — um depoimento que foi citado como parte de entrevistas realizadas pelo FBI na investigação original sobre Epstein. Essas entrevistas, porém, não constam entre as cerca de 3,5 milhões de páginas divulgadas recentemente pelo DoJ.
Trump no caso Epstein
Os parlamentares democratas que lideram a investigação, incluindo o representante Robert Garcia, disse em carta ao Procurador-Geral que o Departamento de Justiça precisa explicar por que esses documentos não foram tornados públicos e se eles ainda estão sob análise como parte de uma investigação em andamento. Ele afirmou que a ocultação de tais registros pode representar um desrespeito à lei que exige transparência sobre os arquivos de Epstein.
O Departamento de Justiça e a Casa Branca têm negado que haja tentativa de encobrir provas, afirmando que documentos podem ter sido temporariamente retidos ou omitidos enquanto estão sujeitos a redações para proteger a identidade de vítimas ou preservar a integridade de investigações em curso. Ainda assim, a controvérsia se intensifica à medida que o tema ganha destaque no Congresso dos EUA — com possíveis implicações legais e políticas envolvendo a divulgação integral dos arquivos e as responsabilidades das autoridades no cumprimento da lei.