Polícia prende homem asiático por roubo após erro de reconhecimento facial
Alvi Choudhury foi preso por erro de software de reconhecimento facial, mesmo sem nunca ter visitado local de roubo no Reino Unido

O engenheiro de software de 26 anos, Alvi Choudhury, estava trabalhando em sua casa, em Southampton, quando a polícia bateu na sua porta, o algemou e o manteve sob custódia por quase 10 horas antes de liberá-lo às 2 da manhã.
A polícia de Thames Valley usou um software de reconhecimento facial que combinou a imagem de Choudhury com a do suspeito de roubar 3.000 euros a 100 milhas de distância da casa dele, em Milton Keynes, de acordo com o The Guardian.
Além dos cabelos cacheados, as imagens mostradas no CFTV mostram um homem bem mais jovem com características diferentes do engenheiro. “Eu estava com muita raiva, porque o garoto parecia cerca de 10 anos mais novo que eu”, disse Choudhury.
Ele ainda completou dizendo que tudo era diferente, a pele estava mais clara, o suspeito parecia ter 18 anos, o nariz dele era maior, ele não tinha barba, seus olhos eram diferentes e que seus lábios eram menores que os dele. “Eu apenas presumi que o oficial de investigação viu que eu era uma pessoa morena com cabelos cacheados e decidiu me prender”, finalizou.
Com as diferenças entre seu rosto e o do homem procurado, Choudhury acreditou que seria liberado rapidamente. Ele mostrou evidências de reuniões de trabalho em Southampton que aconteceram no dia do crime, mas foi levado sob custódia.
O engenheiro está reivindicando seus direitos contra a polícia de Thames Valley e contra os policiais que o prenderam. Ele afirma que os vizinhos presenciaram o momento de sua prisão, seu pai ficou ansioso pela forma que seguraram ele e ele não conseguiu trabalhar no dia seguinte. Ele ainda pede transparência sobre o número de prisões injustas feitas pelo erro do reconhecimento facial.
Choudhury já tinha sua foto registrada no sistema, pois ele havia sido preso por engano em 2021, quando foi atacado de noite perto de sua faculdade. Com uma segunda foto registrada, ele tem medo de que o sistema aumente o número de prisões por engano.
“Na minha cabeça, se uma pessoa morena na Escócia roubar um banco, eles virão e me prenderão?”
A polícia de Thame Valley admitiu a ele que a prisão pode ter sido o resultado de um viés dentro da tecnologia de reconhecimento facial. Um porta-voz da polícia negou que a prisão tenha ocorrido de forma ilegal e disse: “embora nos desculpemos pelo sofrimento causado ao reclamante neste caso, sua prisão foi baseada na própria avaliação visual dos oficiais de investigação de que o indivíduo correspondeu ao suspeito em imagens de CFTV após uma correspondência de reconhecimento facial retrospectivo e não foi influenciado por perfis raciais”.
O engenheiro relatou que os oficiais riram quando ele perguntou se o suspeito parecia com ele e ele afirmou que os policiais sabiam que não era ele após olharem a foto e seu rosto.
Diversas advertências foram feitas devido ao uso de reconhecimento facial e os erros que ele pode apresentar. No mês passado, um homem negro foi preso injustamente e detido por 13 horas devido ao reconhecimento facial. A polícia do sul do País de Gales teve que pagar danos a ele.
Software usado
O algoritmo adquirido pela Home Office realiza cerca de 25.000 buscas mensais contra cerca de 19 milhões de fotos mantidas pela polícia no banco de dados nacional da polícia em todo o Reino Unido. De acordo com o Conselho Nacional de Chefes de Polícia, as faciais devem ser tratadas como inteligência, não como fato.
A tecnologia foi revelada em dezembro para produzir uma taxa muito maior de falsos positivos para rostos negros (5,5%) e asiáticos (4,0%) do que para rostos brancos (0,04%), em certos ambientes, segundo uma pesquisa encomendada pelo Home Office. Os comissários da polícia alertaram sobre “preconceitos em relação ao instruído”.
O Home Office, da Conitec, uma empresa alemã, disse que o treinamento para minimizar os erros e manter a confiança do público no reconhecimento facial retrospectivo estava sob revisão pela Inspetoria da Polícia.
*Sob supervisão de Éric Moreira