Quando ouvimos falar do Tyrannosaurus rex, é natural vir à mente aquela visão retratada nos filmes: um dos maiores predadores da história, com passos fortes e barulhentos que deixavam pegadas profundas. Bom, não é isso que indica uma nova investigação.
Conduzida por pesquisadores dos Estados Unidos e publicada nesta quarta-feira, 25, na revista Royal Society Open Science, a pesquisa aponta que, na verdade, os passos do gigante eram mais parecidos com os de uma galinha.
Imagem clássica
Além da semelhança no andar, o estudo reforça que o carnívoro possuía penas e até lábios cobrindo os dentes, mudando completamente aquela imagem clássica de “monstro” que conhecemos.
De acordo com informações da revista Galileu, foram feitas análises de pegadas fossilizadas e da anatomia detalhada das pernas do animal. O resultado apontou que o incrível T-Rex caminhava e corria se apoiando com os dedos no solo, e não no calcanhar.
Esse movimento fazia com que ele se locomovesse de maneira mais ágil, evidenciando, mais uma vez, características próximas às das aves.
O mecanismo toe-first
O estudo foi liderado por Adrian Boeye, estudante do College of the Atlantic. Boeye tinha o interesse em entender como um animal de mais de 10 toneladas capturava presas de maneira tão rápida.
Conforme reconstruções anteriores, entendia-se que a estrutura dos pés era rígida e que eles tocavam o solo primeiro com os calcanhares — um modelo que simplificava excessivamente a biomecânica do dinossauro.
É então que este novo estudo apresenta outro mecanismo: o animal iniciaria o contato com o solo nas porções mais distais do pé, ou seja, com a ponta dos dedos. Esse tipo de padrão é conhecido como toe-first e é muito observado em aves modernas, como galinhas, emas e avestruzes.
Com isso, a descoberta altera cálculos anteriores sobre o comprimento da passada, a frequência e a velocidade máxima que o tiranossauro poderia alcançar.
Agilidade de 10 toneladas
Com essa nova pesquisa, a relação evolutiva entre tiranossauros e aves fica ainda mais forte. Vale lembrar, que as aves já são consideradas descendentes diretas dos dinossauros terópodes, grupo que inclui o T-Rex.
Para a investigação, foram utilizadas trilhas fossilizadas, incluindo uma pegada de quase um metro encontrada no Novo México, além de esqueletos de diferentes idades — entre eles “Sue”, exposta no Museu Field de História Natural, em Chicago.
Após combinar os modelos e o peso da cauda do T-Rex com dados de locomoção de aves atuais, o resultado indicou que ele não alcançava altas velocidades necessariamente pelo aumento no tamanho das passadas.
Em vez de dar passos cada vez maiores, como em Jurassic Park, ele se moveria rapidamente balançando as pernas com agilidade”, explica Boeye em entrevista ao jornal The New York Times. “Seria como ser perseguido por uma ave superdimensionada.”
O estudo também revelou que a velocidade do animal estava ligada à sua faixa etária. Tiranossauros mais jovens, por serem mais leves, atingiam velocidades superiores a 40 km/h. Já os adultos podiam chegar a 22 km/h, desempenho comparável ao de um dragão-de-komodo moderno.
O objetivo dos pesquisadores agora é analisar a hipótese de que eles se dividiam para caçar grupos de presas distintos, variando a alimentação ao longo de seu desenvolvimento e maturação.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes