Notícias / Arqueologia

Tumbas do Antigo Império no Egito revelam segredos de gerações

Arqueólogos descobrem que rede de tumbas em Aswan foi reutilizada por milênios, apresentando artefatos que vão de 160 vasos de cerâmica a joias raras

Recipientes de cerâmica utilizados para armazenar grãos e líquidos em rituais funerários egípcios / Créditos: Reprodução/Ministry of Tourism and Antiquities

Uma recente descoberta arqueológica em Aswan, na margem oeste do Rio Nilo, trouxe à luz um importante conjunto de tumbas escavadas diretamente na rocha. Segundo o Conselho Supremo de Antiguidades, as estruturas datam originalmente do Antigo Império (2686 a 2181 a.C.).

O achado não apenas amplia o mapa da necrópole de Qubbet el Hawa, como também oferece um vislumbre raro sobre a organização logística e os rituais de sepultamento na fronteira sul do Egito antigo. Dentro das câmaras, foram recuperados 160 vasos de cerâmica, muitos deles ainda perfeitamente intactos.

Herança e reutilização

Embora as tumbas tenham sido fundadas há mais de quatro mil anos, o local não permaneceu estático. De acordo com informações da revista Archaeology News, as evidências estratigráficas revelam que o complexo sofreu reutilização constante durante o Primeiro Período Intermediário e o Império Médio.

Colares de contas e amuletos / Créditos: Reprodução/Ministry of Tourism and Antiquities

Essa continuidade histórica é visível nas mudanças dos depósitos funerários e na presença de artefatos mais tardios no pátio externo. Entre os objetos recuperados estão espelhos de cobre, potes de alabastro, amuletos e colares de contas coloridas, típicos de períodos posteriores.

Análise científica

Além disso, vários jarros exibem inscrições em hierático, uma escrita cursiva administrativa. Tais registros indicam que os recipientes guardavam grãos e líquidos para o falecido. Com isso, a disposição organizada dos vasos sugere um planejamento cuidadoso por parte dos antigos escribas e sacerdotes.

Atualmente, os especialistas têm se dedicado a decifrar essas marcações para identificar os proprietários originais e entender como as tradições mudaram. O trabalho em Qubbet el Hawa reforça o papel da região como um ponto estratégico de poder para os governadores egípcios.

Os arqueólogos planejam agora expandir as escavações para setores adjacentes. O foco é mapear como as gerações seguintes adaptaram esses espaços sagrados, mantendo viva a memória de seus antepassados por meio da reutilização de sepulcros monumentais e ritos milenares.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes