Richard Stone, o artista que retratou a Rainha Elizabeth II em mais de uma ocasião
Obras separadas por mais de duas décadas exigiram longas sessões com Elizabeth II e uma série de estudos preparatórios

O pintor britânico Richard Stone construiu, ao longo de sua carreira, uma relação singular com a monarquia, especialmente em razão dos dois retratos oficiais que realizou de Elizabeth II, concluídos em 1992 e 2015. Separadas por mais de duas décadas, as obras revelam o método cuidadoso do artista, que se baseou em longas sessões de observação direta e estudos preparatórios.
O primeiro retrato nasceu de uma encomenda ligada à cidade natal de Stone, Colchester, que celebrava então os 800 anos de sua Carta de Município. Para concretizar o projeto, o artista foi recebido em várias sessões privadas no Palácio de Buckingham a partir de junho de 1989. Ao todo, sete encontros de uma hora foram programados, durante os quais Stone buscou captar a aparência mais fiel da rainha.
Segundo o próprio pintor, a primeira sessão foi decisiva. Ali, ele apresentou os primeiros esboços, ainda hesitantes, discutindo com a soberana a concepção geral da obra. Aos poucos, os desenhos evoluíram para estudos mais seguros, até alcançarem maquetes em tamanho real. Em dezembro daquele ano, o trabalho já havia avançado o suficiente para que um estudo detalhado da cabeça da rainha fosse divulgado à imprensa internacional. A própria monarca comentou, na época, que a imagem daria “um selo muito bom”.
Novas sessões
As sessões foram retomadas no verão de 1990, agora com um novo foco: as vestes cerimoniais e as insígnias de Estado. O retrato cresceu gradualmente até atingir suas dimensões monumentais (cerca de 2,4 m por 1,5 m). Para manter o ritmo do trabalho mesmo na ausência da soberana, foram criadas instalações especiais no palácio, onde uma modelo substituta vestia o traje oficial e o diadema de George IV. A última sessão com Elizabeth II ocorreu em 12 de junho de 1990, quando ela pôde observar a escala impressionante da composição e os diversos estudos preparatórios.
Concluída a pintura, ela foi apresentada oficialmente na National Portrait Gallery antes de ser doada por Stone ao conselho municipal de Colchester, em fevereiro de 1992, como um presente pessoal à cidade onde nasceu. Desde então, a obra percorreu importantes espaços expositivos, como Woburn Abbey e a feira internacional de arte TEFAF. Hoje, se encontra acessível ao público mediante agendamento no Colchester Moot Hall.
Mais de vinte anos depois, Stone voltaria a retratar Elizabeth II, desta vez a pedido das nações da Commonwealth of Nations, em ocasião ligada à reunião de chefes de governo do bloco em 2015. Com 1,88 m por 1,23 m (pouco menor do que a primeira encomenda), o novo quadro refletia a continuidade do reinado da soberana. Nele, a rainha surge, mais uma vez, usando o Diadema de Estado de George IV e vestes de seda carmesim. A obra faz parte da Coleção Real, administrada pela Royal Collection Trust.