Novos documentos tornados públicos nos Estados Unidos ampliaram a pressão sobre o ex-príncipe Andrew ao revelar trocas de e-mails com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual.
As mensagens, divulgadas pelo Departamento de Justiça, indicam proximidade entre os dois mesmo após a primeira condenação de Epstein e agora são analisadas por investigadores britânicos.
Detido na última quinta-feira, 19, sob suspeita de má conduta em cargo público, Andrew foi liberado após 12 horas, sem acusação formal. Ainda assim, a polícia apura se ele utilizou sua posição como representante comercial do Reino Unido para compartilhar documentos confidenciais com o empresário. O caso marca mais um capítulo da crise que atinge o terceiro filho da falecida Elizabeth II.
E-mails sob investigação
De acordo com informações do G1, entre os arquivos revelados investigadores destacam mensagens em que Epstein se refere a Andrew como “The Duke” e “The Invisible Man”. Em um dos trechos considerados mais sensíveis, o ex-príncipe escreveu: “Parece que estamos nisso juntos. E vamos ter que superar. Vamos manter contato próximo e brincar mais em breve”. A troca ocorreu depois de Epstein já ter cumprido pena por crimes sexuais contra menores.
Embora Andrew negue qualquer irregularidade, a divulgação do conteúdo reforça questionamentos sobre a natureza da relação entre os dois. Desde 2025, por decisão do rei Charles III, ele perdeu títulos honorários e o tratamento de “Alteza Real”, respondendo como cidadão comum.
Denúncias e acordo milionário
O escândalo ganhou dimensão internacional após as acusações da americana Virginia Giuffre, que afirmou ter sido abusada aos 17 anos. Segundo ela, houve três encontros com Andrew em propriedades ligadas a Epstein, em Londres, Nova York e no Caribe. O ex-príncipe sempre negou as acusações de forma categórica.
Apesar disso, em fevereiro de 2022, firmou um acordo extrajudicial estimado em 12 milhões de libras para encerrar o processo, sem admitir culpa. Giuffre morreu em abril de 2025, aos 41 anos.
Ramificações no Brasil
Os novos documentos também apontam conexões no Brasil. Segundo os arquivos, Epstein possuía CPF brasileiro e adquiriu um apartamento em São Paulo. Em um dos e-mails, uma mulher identificada como Alexia enviou a foto de uma jovem de Natal pedindo recursos para levá-la aos Estados Unidos. O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar o caso.
Além disso, os registros mostram que Epstein mantinha contato com figuras influentes, como Bill Clinton, Bill Gates, Donald Trump e Elon Musk. Enquanto isso, Andrew enfrenta investigações que podem definir o desfecho de sua trajetória pública.
*Sob supervisão de Éric Moreira