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Mil novas rachaduras provam que a Lua está encolhendo e dão alerta à NASA

Estudo descobre mil rachaduras estranhas na Lua, gerando riscos de terremotos devastadores no solo lunar e alerta aos planos da missão Artemis III da NASA

Reconstituição topográfica da cratera Slipher mostra o relevo criado pela contração da crosta; o fenômeno gera riscos de sismos para futuras missões tripuladas / Créditos: NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona

Ao que tudo indica, a Lua está encolhendo cada vez mais. Pelo menos é o que revela um novo estudo científico realizado por pesquisadores do Centro de Estudos da Terra e Planetários do Museu Nacional do Ar e do Espaço.

Dados divulgados apontaram a presença de mais de 1.000 rachaduras, até então desconhecidas, encontradas na superfície lunar. Um forte indício de que a Lua estaria se contraindo e remodelando seu corpo.

Sinal de alerta

De acordo com informações repercutidas pelo Daily Mail, isso pode indicar um sinal de alerta para futuros astronautas que um dia vão explorar ou viver na superfície lunar. Acontece que esses sinais apontam possíveis riscos de terremotos devastadores.

Apesar dos dados apresentados, Cole Nypaver, autor principal do estudo, reforçou que estamos vivendo momentos muito empolgantes para a ciência e a exploração lunar. Isso porque os futuros programas que visam a exploração, como o Artemis, podem ajudar a trazer mais informações sobre o estado do nosso satélite natural.

Ele ainda acrescenta que uma melhor compreensão sobre a tectônica lunar e as atividades sísmicas beneficiaria diretamente a segurança e o sucesso dessas missões futuras.

Mistério nos mares lunares

A informação de que a Lua está diminuindo não é nova. Desde 2010, os cientistas sabem desse fenômeno gradual, que ocorre à medida que o interior do satélite se resfria e sua superfície se contrai.

Com isso, surgem naturalmente formações geológicas distintas, chamadas de “escarpas lobadas”, nas terras altas lunares. Elas aparecem sempre que a crosta lunar se comprime e as forças resultantes empurram o material para cima.

Apesar de ser uma característica comum, essas novas marcas encontradas no estudo são rachaduras consideradas estranhas e em uma área diferente: nos mares lunares, conhecidos por suas vastas planícies escuras.

Desde a era Apollo, sabemos da prevalência de escarpas lobadas nas terras altas lunares, mas esta é a primeira vez que os cientistas documentam a ampla ocorrência de características semelhantes em todo o mar lunar”, disse Nypaver ao Daily Mail.

Geologicamente jovens

Nesta nova pesquisa, a equipe descobriu exatamente 1.114 dessas pequenas cristas de mare (SMRs), elevando o total encontrado na Lua para 2.634. O que mais impressiona os especialistas é a idade dessas estruturas.

Em média, as SMRs datam de cerca de 124 milhões de anos, enquanto as escarpas lobadas têm cerca de 105 milhões de anos.

Embora pareçam números distantes, na escala de tempo do universo, isso as torna algumas das formações geológicas mais recentes da Lua. Para Tom Watters, o cientista que descobriu as rachaduras pela primeira vez em 2010, essas detecções completam um panorama global de uma “Lua dinâmica e em contração”.

Ameaça para a missão Artemis

A descoberta, publicada originalmente no The Planetary Science Journal, traz uma advertência séria para as agências espaciais. A distribuição dessas fendas e o risco de sismos lunares superficiais representam um perigo real para qualquer infraestrutura construída pelo homem.

O foco principal de preocupação recai sobre a NASA, que planeja levar humanos de volta à superfície lunar até 2028, como parte da missão Artemis III.

A compreensão desses terremotos será vital para garantir que a futura habitação lunar de longo prazo não seja comprometida pela instabilidade do solo.


*Sob supervisão de Éric Moreira