Plano bilionário tenta salvar a ‘Geleira do Juízo Final’ do colapso
Cientistas do Seabed Curtain Project propõem plano bilionário para conter degelo da geleira Thwaites; especialistas divergem

Uma solução para o colapso da “Geleira do Juízo Final” foi apresentada recentemente por cientistas. O objetivo é tentar retardar o degelo da geleira Thwaites, que pode levar ao aumento dos níveis globais do mar e causar uma catástrofe.
A proposta, desenvolvida pelo Seabed Curtain Project, consiste em uma “cortina” gigante submersa, que bloquearia o avanço das correntes marítimas quentes. Ela funcionaria como um filtro, permitindo apenas a passagem de água fria superficial.
A importância da geleira
Localizada na Antártida Ocidental, a geleira Thwaites é uma das maiores e mais instáveis do planeta. Por isso, recebeu os apelidos de “Geleira do Juízo Final” e “Geleira do Apocalipse”.
Para se ter uma ideia, seu tamanho é comparável ao do estado do Paraná, e ela concentra uma das maiores e mais dinâmicas massas de gelo do mundo. De acordo com informações do UOL, o gelo no local pode atingir até 2.000 metros de espessura em alguns pontos.
Com isso, o risco é alto caso entre em colapso, pois a geleira pode elevar o nível global do mar em cerca de 65 cm, inundando cidades costeiras e colocando milhões de pessoas em perigo. Além disso, ela atua como barreira para o restante do manto de gelo da Antártida Ocidental. Perder a Thwaites poderia acelerar o derretimento de outras áreas, aumentando o risco no longo prazo.
O projeto
O Seabed Curtain Project prevê que a cortina seria ancorada a cerca de 650 metros de profundidade no leito marinho, em frente à geleira. No entanto, até o momento os pesquisadores ainda não definiram o material que seria usado. A ideia central é bloquear as correntes oceânicas quentes para proteger o gelo.
Apesar de promissora, a proposta divide a comunidade científica. Para os autores do projeto, mesmo com custos elevados e dificuldades técnicas, não há desculpa para não tentar.
Já outros pesquisadores, incluindo autores de um artigo de 2025, apontam que soluções da geoengenharia polar podem ser extremamente caras, tecnicamente inviáveis e potencialmente prejudiciais a ecossistemas frágeis.
Estima-se que o projeto custaria entre US$ 40 e 80 bilhões — aproximadamente R$ 418 bilhões na cotação atual. Caso não funcione, os danos poderiam chegar à casa dos trilhões.
No momento, testes em menor escala estão sendo conduzidos por uma iniciativa da Universidade Ártica da Noruega, em colaboração com o Seabed Curtain Project.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes