A surpreendente escultura de uma Medusa sorridente descoberta na Turquia
Arqueólogos na Turquia descobriram no teto de mármore de uma antiga passarela uma representação incomum de uma Medusa sorridente; confira!

Escavações arqueológicas na antiga cidade de Amastris, na atual província de Bartın, na Turquia, revelaram uma representação incomum da figura mitológica Medusa esculpida no teto de uma monumental stoa romana. A descoberta foi feita durante trabalhos de restauração de uma passarela coberta que, segundo os pesquisadores, desabou há cerca de 2.000 anos em decorrência de um terremoto.
As escavações em Amastris tiveram início em 2017 e atualmente abrangem uma área de aproximadamente 30.000 pés quadrados (cerca de 2.787 metros quadrados). Ao longo desse período, os arqueólogos identificaram as ruínas de uma stoa — estrutura típica do mundo romano que funcionava como espaço público de circulação e encontro. Embora encontrada em fragmentos, a construção é descrita como “monumental”, cercada por colunas de cerca de 9 metros de altura, o que indica o nível de riqueza e sofisticação arquitetônica da cidade em seu auge.
A cabeça da Medusa
A escultura de Medusa veio à tona durante o processo cuidadoso de reconstrução da stoa. A figura estava entalhada em um bloco de mármore que integrava o teto da passagem. A identificação chamou a atenção dos pesquisadores não apenas pela presença da personagem mitológica, mas principalmente por sua expressão.
Na tradição da mitologia grega, Medusa é uma das três Górgonas e é conhecida por seus cabelos formados por serpentes e pela capacidade de transformar em pedra aqueles que cruzassem seu olhar. Derrotada pelo herói Perseu, ela costuma ser retratada na Antiguidade com traços ferozes: dentes à mostra, olhar intenso e semblante ameaçador. Por esse motivo, sua imagem era frequentemente utilizada como símbolo de proteção, adornando fachadas, objetos e escudos com a função de afastar inimigos.
A representação encontrada em Amastris, no entanto, apresenta características distintas. Em vez de um semblante intimidador, a figura exibe uma expressão sorridente, destoando das representações mais conhecidas.
“Normalmente, Medusa se tornou um símbolo com uma expressão assustadora e cabelos de serpente para amedrontar o inimigo e incitar o medo”, afirmou a Dra. Fatma Bağdatli Çam, da Universidade de Bartın, líder das escavações, ao Turkiye Today, “mas a nossa Medusa foi feita como um Eros, com o rosto de uma criança pequena e em uma pose sorridente.”

Reinterpretação da personagem?
A declaração sugere que os artesãos responsáveis pela escultura optaram por reinterpretar a imagem tradicional da Górgona, aproximando-a da iconografia de Eros, figura associada à juventude e à leveza. Embora não seja possível determinar com precisão o motivo dessa escolha, a equipe de pesquisa considera que o contexto histórico da cidade pode oferecer pistas.
Segundo Çam, a escultura pode ter sido produzida durante um período de grande prosperidade em Amastris. A cidade alcançou seu auge sob o reinado da Rainha Amastris (340–285 a.C.), sobrinha do rei persa Dario III. Foi ela quem deu nome à metrópole e se destacou por ser a primeira rainha a cunhar moedas com seu próprio nome — um indicativo de poder político e relevância regional.
Em seu período de maior desenvolvimento, Amastris provavelmente abrigava dezenas de milhares de habitantes. As escavações já revelaram uma série de achados que reforçam esse cenário de dinamismo urbano, incluindo moedas, a cabeça de pedra de Alexandre, o Grande, estátuas de ninfas da água, um amuleto descrito como “protetor” e fragmentos de inscrições.
Nesse contexto, a Medusa sorridente pode ser interpretada como reflexo simbólico de um momento de estabilidade e abundância. A escolha de suavizar uma figura tradicionalmente associada ao medo e à proteção sugere uma possível adaptação cultural da imagem, alinhada ao clima social da época, repercute o All That’s Interesting.
A descoberta contribui para ampliar o entendimento sobre a vida e a produção artística em Amastris há dois milênios. Além de evidenciar o nível técnico da arquitetura local, a escultura oferece indícios de como símbolos mitológicos podiam ser reinterpretados de acordo com valores e circunstâncias históricas específicas.