Autoridades dos EUA rejeitam comissão de ‘controle humano’ da IA proposta pela ONU
Conselheiro de tecnologia do governo dos EUA declarou recentemente que o país rejeita "totalmente" a ideia de uma gestão global da IA

A Casa Branca disse rejeitar a proposta da Organização das Nações Unidas de criar um mecanismo internacional de governança para a inteligência artificial (IA) apresentada durante uma cúpula dedicada ao tema na Índia. A fala partiu de Michael Kratsios, conselheiro de tecnologia do governo americano.
“Como o governo (do presidente Donald) Trump já disse em muitas ocasiões: rejeitamos totalmente a governança global da IA“, afirmou a autoridade, segundo informações do portal GLOBO. “Acreditamos que a adoção da IA não pode levar a um futuro mais promissor se estiver submetida a burocracias e ao controle centralizado.”
Horas antes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, havia anunciado a criação de uma nova comissão voltada a assegurar o que chamou de “controle humano” sobre a inteligência artificial. Segundo ele, a Assembleia Geral designou 40 especialistas para integrar o Painel Científico Internacional Independente sobre IA.
“Estamos entrando no desconhecido”, disse Guterres na abertura do encontro. “A mensagem é simples: menos exagero, menos medo. Mais fatos e evidências.”
Criado em agosto, o novo órgão consultivo deve funcionar de maneira semelhante ao Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, responsável por promover avaliações científicas que orientam políticas globais sobre o aquecimento do planeta.
Crescem as preocupações
O rápido crescimento da IA generativa tem impulsionado receitas de empresas de tecnologia, ao mesmo tempo que amplia preocupações sobre impactos sociais, transformações no mercado de trabalho e efeitos ambientais. Esta foi a quarta reunião anual dedicada à política internacional de IA. O próximo encontro está previsto para Genebra, no primeiro semestre de 2027.
A reunião realizada em Nova Délhi foi a primeira sediada por um país em desenvolvimento. Como destaca o GLOBO, o governo indiano tenta aproveitar a visibilidade internacional para fortalecer sua posição no setor e reduzir a distância tecnológica em relação a potências como os Estados Unidos e a China. Autoridades locais estimam atrair mais de 200 bilhões de dólares em investimentos nos próximos dois anos, enquanto empresas americanas anunciaram novos acordos e projetos de infraestrutura.
O líder da OpenAI, Sam Altman, defendeu a criação de regras para o uso da tecnologia. “A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere”, disse ele, que prosseguiu: “Isso não quer dizer que não precisamos de nenhuma regulamentação ou medida de segurança. É óbvio que precisamos delas, com urgência.”
Fala de Lula
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou que, sem coordenação internacional, a inteligência artificial pode aprofundar desigualdades históricas.
“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, afirmou. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação.”
A causa reuniu milhares de participantes, que abordaram temas como proteção de crianças, impactos no emprego e acesso equitativo às ferramentas tecnológicas. Observadores, porém, avaliam que a amplitude da agenda e o caráter genérico das declarações — que repetiram padrões de encontros anteriores realizados na França, na Coreia do Sul e no Reino Unido — podem dificultar a adoção de compromissos concretos.