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ONU faz alerta sobre ‘anexação gradual’ de Israel em terras da Cisjordânia

ONU faz advertência sobre medidas impostas por Israel na Cisjordânia; ações geram críticas internacionais e ameaçam futuro Estado palestino

Soldados israelenses em Hebron, na Cisjordânia, durante operação militar que reforça o controle da região / Créditos: Getty Images

Na quarta-feira, 18, uma alta funcionária da ONU afirmou que as medidas de Israel para reforçar o controle sobre áreas da Cisjordânia, atualmente administradas pela Autoridade Palestina, equivalem a uma “anexação gradual de fato”.

A advertência ocorre após o governo israelense aprovar um plano que facilita o registro de terras na Cisjordânia como “propriedade do Estado”. A região está sob ocupação israelense desde 1967. Porém, as terras em questão são oficialmente administradas pela Autoridade Palestina, conforme o Acordo de Oslo.

Estamos sendo testemunhas de uma anexação gradual de fato da Cisjordânia, enquanto as medidas unilaterais israelenses transformam gradualmente a realidade no terreno”, declarou a subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, durante uma reunião do Conselho de Segurança.

De acordo com informações do UOL, DiCarlo acrescentou que, caso essas medidas sejam aplicadas pelo governo israelense, elas constituiriam “uma perigosa expansão da autoridade civil israelense na Cisjordânia ocupada, inclusive em áreas sensíveis como Hebron (sul)”.

Expansão israelense

DiCarlo alerta que essas medidas podem levar à expansão de assentamentos israelenses em áreas da Cisjordânia que atualmente são territórios palestinos. Além disso, isso facilitaria a construção de casas, além de eliminar entraves burocráticos, permitindo a compra de terras e a obtenção de permissões de construção com maior facilidade.

É importante lembrar que os Acordos de Oslo, assinados nos anos 1990, foram criados para abrir caminho à criação de um Estado palestino independente, do qual a Cisjordânia faria parte. No entanto, com essas novas ações de Israel, o acordo estaria sendo invertido, fortalecendo assim o controle israelense sobre terras palestinas por meio da apropriação de territórios.

Repercussão internacional

Por conta disso, na terça-feira, 17, cerca de 85 Estados emitiram uma declaração contra as ações de Israel e seu novo plano. No texto, eles condenaram as decisões e medidas unilaterais de Israel, ressaltando que estas visam apenas ampliar a presença ilegal na Cisjordânia.

Por sua vez, o governo israelense afirmou, em declaração do ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, que é “surpreendente que tantos países digam que a presença judaica em nossa antiga pátria viola o direito internacional”. A declaração foi feita antes das advertências de DiCarlo.

Saar ainda acrescentou que nenhuma outra nação teria um direito mais forte do que Israel sobre esses territórios, por se basear em um direito histórico e documentado relacionado à “terra da Bíblia”.

Já o embaixador palestino junto à ONU, Ryad Mansour, afirmou que “há algo fundamentalmente racista nessa narrativa colonial em torno de todas essas políticas ilegais”.

Impactos econômicos

A secretária de Estado britânica para Relações Exteriores, Yvette Cooper, que presidiu a reunião, reforçou a necessidade de evitar a desestabilização da Cisjordânia e preservar a viabilidade do Estado palestino.

Ela ainda destacou que a economia palestina enfrenta dificuldades, com o governo israelense retendo parte das receitas fiscais da Autoridade Palestina. A reunião de quarta-feira do Conselho de Segurança foi antecipada, em meio à preparação do primeiro encontro de Trump em Washington sobre o tema.


*Sob supervisão de Éric Moreira