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Túmulo da Idade da Pedra une ossos de pai e filha na Suécia

Pesquisa em cemitério da Idade da Pedra aponta enterros de parentes distantes e identifica ossos de pai colocados sobre a filha

Arqueólogos encontraram uma menina de 12 a 14 anos enterrada de costas, com os ossos do pai depositados sobre ela, na ilha de Gotland, Suécia / Créditos: Göran Burenhult (CC BY)

Um novo estudo de DNA identificou, em um raro cemitério da Idade da Pedra localizado em uma ilha sueca, túmulos pertencentes a alguns dos últimos caçadores-coletores da Europa. O achado arqueológico se destaca, principalmente, pela descoberta do túmulo de uma adolescente enterrada junto aos ossos de seu pai, que foram depositados sobre e ao lado dela.

As análises genéticas revelaram uma surpresa para os cientistas, mostrando que a maioria dos sepultamentos múltiplos não continha parentes de primeiro grau, como pais e filhos, mas sim familiares de parentesco mais distante. Essa mudança no padrão indica que a sociedade da época possuía um conhecimento de suas linhagens.

Contexto arqueológico

De acordo com informações da revista Live Science, o sítio foi escavado pela primeira vez em 1983. Localizado em Ajvide, na ilha de Gotland, no oeste da Suécia, o local revelou 85 sepulturas da Cultura da Cerâmica Perfurada — uma sociedade que viveu na região há cerca de 5.500 anos.

Embora a agricultura já fosse uma prática ativa na Europa nesse período, esses grupos de caçadores-coletores coexistiam com as comunidades agrícolas. Eles mantinham seu modo de vida na Escandinávia, dedicando-se intensamente às atividades de caça de focas e à pesca. O local foi ocupado durante pelo menos quatro séculos.

Surpresas no DNA

O estudo, publicado nesta quarta-feira, 18, no periódico Proceedings of the Royal Society B, focou em quatro sepulturas que continham mais de uma pessoa. A hipótese inicial era de que fossem parentes de primeiro grau, mas o DNA mostrou outro cenário.

Sepultura contendo duas crianças e uma mulher que seria tia ou meia-irmã delas / Créditos: Göran Burenhult (CC BY)

Uma das sepulturas continha o esqueleto de uma mulher com duas crianças. O menino e a menina eram irmãos biológicos, mas a mulher não era mãe deles; o resultado apontou que seria uma parente de grau mais distante, como tia ou meia-irmã. Em outra cova, um menino e uma menina estavam enterrados juntos, mas a análise indicou serem primos de terceiro grau.

Pai e filha

A exceção notável foi a quarta sepultura analisada. Nela, uma adolescente foi enterrada de costas com uma pilha de ossos disposta sobre seu corpo. As análises confirmaram que os restos mortais pertenciam ao pai da garota. Como a morte dele ocorreu provavelmente antes da dela, seus ossos foram presumivelmente desenterrados e transferidos para o túmulo da filha como parte de um rito funerário específico.

Segundo Helena Malmström, arqueogeneticista da Universidade de Uppsala e coautora do estudo, os resultados contrariam a presunção comum de que enterros conjuntos seriam exclusivos para pais e filhos.

A pesquisa é pioneira na investigação de laços familiares entre caçadores-coletores neolíticos e, agora, os cientistas planejam analisar o restante dos esqueletos de Ajvide para mapear a estrutura social completa deste antigo grupo.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes