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Estrada da época de Jesus é reaberta após 2.000 anos em Jerusalém

Com 600 metros, a Estrada dos Peregrinos ligava a Piscina de Siloé ao Monte do Templo e ficou soterrada desde a Grande Revolta Judaica

Trecho da Estrada dos Peregrinos, em Jerusalém / Crédito: Divulgação/Sítio Arqueológico Cidade de Davi

Pela primeira vez em cerca de dois mil anos, visitantes podem caminhar pela chamada Estrada dos Peregrinos, considerada a principal via de Jerusalém na época de Jesus. O trajeto histórico foi inaugurado em setembro de 2025 e aberto ao público em 20 de janeiro, passando a integrar o roteiro de visitação do sítio arqueológico Cidade de Davi, na área mais antiga da cidade.

Também conhecida pelos arqueólogos como rua em degraus, a via tinha papel central na dinâmica da Jerusalém Oriental. Segundo comunicado do sítio arqueológico, “moradores locais, comerciantes, visitantes e peregrinos passavam por essa rota, chegando a Jerusalém vindos de toda a região e de todo o mundo”.

Com aproximadamente 600 metros de extensão, a estrada foi encontrada em excelente estado de conservação. No período em que era utilizada, ligava a Piscina de Siloé ao Monte do Templo, conectando pontos de relevância religiosa e urbana. De acordo com a equipe responsável pela área, “a rua não foi reconstruída nem redesenhada. Foi descoberta exatamente como estava [e] deixada intocada.”

A Estrada dos Peregrinos deixou de ser utilizada durante a Grande Revolta Judaica, entre 66 e 73 d.C., quando judeus se insurgiram contra o domínio do Império Romano após o confisco de prata do Segundo Templo, erguido no local onde antes ficava o Templo de Salomão, conforme repercute o UOL. Depois de expulsos da cidade, os romanos retornaram, destruíram Jerusalém e incendiaram o Segundo Templo. Desde então, “[a estrada] permaneceu enterrada sob camadas de terra por cerca de dois milênios”, informou nota do sítio arqueológico Cidade de Davi.

Ilustração representando como era a Estrada dos Peregrinos no período do Segundo Templo / Crédito: Divulgação/Cidade de Davi/Shalom Kveller

Visitação

Agora aberta à visitação, a via pode ser percorrida tanto em tours guiados quanto em formato autoguiado. O trajeto começa em um mirante com vista para a Jerusalém antiga, segue por um túnel subterrâneo e termina no Parque Arqueológico Davidson, ao sul do Monte do Templo. Segundo os organizadores, a visita guiada “dura aproximadamente duas horas”.

O comunicado oficial afirma que a experiência permite aos visitantes conhecer Jerusalém “como ela era antigamente”. “Uma cidade viva, dinâmica e vibrante, revelada diretamente por meio de seus vestígios autênticos, sem reconstrução”, diz o texto.

Entre os primeiros a percorrer a estrada no dia da abertura ao público estava a família Ganeles, que integrou um grupo de cerca de 30 pessoas na caminhada inaugural. “Estávamos pesquisando sobre a Cidade de Davi e, quando vimos que eles estavam oferecendo um primeiro tour [pela Estrada da Peregrinação], dissemos a nós mesmos que tínhamos que fazer”, afirmou Michael Ganeles ao jornal online The Times of Israel. Ele visitou o local acompanhado da esposa e dos três filhos.

No início do mês, o presidente de Israel, Isaac Herzog, também percorreu a via. A filantropa Miriam Adelson esteve no local no último dia 10, segundo reportagem da Fox News.

Em nota, o sítio arqueológico Cidade de Davi destacou a relevância histórica e simbólica do trajeto recém-aberto. “Embora possam existir outras estradas antigas, tanto dentro como fora de Israel, poucas, ou talvez nenhuma, têm a importância da Estrada da Peregrinação — com significado para bilhões, não apenas milhões”, informou.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.