Mesmo com doenças, cristãos ricos eram enterrados perto de igrejas na Idade Média
Cemitérios medievais na Dinamarca mostram como a classe social influenciavam as escolhas de sepultamento na Idade Média, mesmo em casos de doenças

Pesquisadores utilizaram a localização da sepultura como medida de status e comparou o local com os sinais esqueléticos de duas doenças: a lepra e a tuberculose. O projeto analisou 939 esqueletos adultos de cinco cemitérios diferentes datados aproximadamente de 1050 e 1536.
A lepra é conhecida por marcar frequentemente os ossos da face e os membros, marcando os doentes no dia a dia e a tuberculose costuma deixar vestígios mais sutis e se espalhava em locais onde as condições de vida eram precárias.
A alta densidade habitacional, combinada com o crescimento urbano, aumentavam a exposição às doenças e os moradores rurais sofriam mais devido ao distanciamento dos serviços de saúde.
Detalhes do estudo
Eles analisaram que os indivíduos que possuíam sinais ósseos de tuberculose viviam mais que aqueles que não apresentavam nada. Quanto mais tempo de sobrevida, maiores eram as chances das alterações ósseas, aumentando a taxa de detecção em restos mortais. A lepra não apresentou nenhuma diferença entre as pessoas com e sem alterações da doença.
Pesquisadores do projeto mapearam cada sepultamento com plantas detalhadas dos locais e registraram os danos ósseos causados por cada doença.
Os mapas detalhados não registraram um padrão de deslocamento dos infectados para regiões mais pobres. Da mesma forma que pessoas sem nenhuma doença estavam sendo enterradas em locais de alto padrão, os infectados visivelmente com lepra também estavam. A tuberculose apresentou um padrão semelhante.
No cemitério de Drotten, metade de todos os sepultamentos estavam em áreas de status elevados e mais da metade dos enterrados no local possuíam sinais ósseos de tuberculose.
A cidade de Ribe, mostrou uma certa separação, cerca de um terço dos sepultados em uma área inferior tinham tuberculose. Os pesquisadores atribuíram essa diferença a diferentes condições de vida e exposição, e não ao estigma da doença.
O sepultamento próximo a espaços sagrados dependiam mais da riqueza, das doações feitas a igreja ou laços familiares e não das doenças em si, afirma a Archaeology News.
Os hospitais para leprosos fora das cidades, conhecidos como leprosários, influenciavam os padrões em algumas regiões. Em alguns cemitérios urbanos, apareciam poucos casos claro de lepra, indicando que eles possuíam cemitérios separados para a instituição.
Pesquisadores afirmam que existem algumas limitações no diagnóstico esquelético, visto que algumas pessoas morreram antes que os ossos sofressem alterações. Com o avanço dos estudos, análises com DNA irão facilitar o mapeamento da pesquisa, publicada na Frontiers in Environmental Archaeology. Apesar disso, foi possível notar nos cemitérios da Dinamarca que existiam comunidades que não usavam as doenças como motivo para rejeição social após a morte.
*Sob supervisão de Éric Moreira