Notícias / França

Restauração de coroa danificada durante roubo no Louvre custará R$ 245 mil

Coroa com cerca de 170 anos ficou amassada após assalto ao Museu do Louvre ocorrido no ano passado; peça pertenceu à imperatriz Eugénie

A coroa da Imperatriz Eugênia foi danificada quando ladrões tentaram retirá-la de sua vitrine em 19 de outubro de 2025 - Crédito: Divulgação/Thomas Clot/Museu do Louvre

Um dos objetos mais simbólicos do acervo do Museu do Louvre, em Paris, foi danificado durante o assalto ocorrido em 19 de outubro: uma coroa com cerca de 170 anos. A peça passará agora por um processo de restauração estimado em aproximadamente US$ 47 mil (cerca de R$ 245 mil, na cotação atual). A informação foi divulgada pela direção do museu em comunicado publicado no último dia 4.

De acordo com as autoridades, quatro homens invadiram a Galeria Apollo após entrarem por uma janela e utilizaram uma esmerilhadeira para tentar cortar as vitrines de vidro. Eles conseguiram levar oito peças pertencentes à coleção de Napoleão III e da imperatriz Eugénie. Durante a fuga, no entanto, a coroa criada para a Exposição Universal de Paris de 1855 caiu na calçada.

Danos à peça

Segundo a revista Smithsonian, os danos não foram, no entanto, causados pela queda. Em depoimento a senadores franceses, a diretora do Louvre, Laurence des Cars, explicou que o vidro das vitrines resistiu ao ataque, de modo que os criminosos decidiram retirar as joias por uma abertura estreita, o que acabou deformando a estrutura da peça.

Como detalha o portal Galileu, a coroa é ornamentada com 56 esmeraldas, 1.354 diamantes e oito águias douradas, símbolo do Império. Apesar do incidente, a maior parte da decoração permanece intacta. O museu informou que os principais elementos, incluindo diamantes e esmeraldas, continuam em seus encaixes originais. Apenas pequenos fragmentos de diamante, além de uma das águias douradas estão desaparecidos.

Com a deformação da armação metálica, um ornamento em formato de palma se soltou. Como quase todos os componentes seguem fixados, especialistas acreditam que será possível restaurar a peça sem reconstruções extensas, concentrando o trabalho na remodelagem da estrutura.

Para acompanhar a intervenção, o Louvre criará um comitê científico formado por especialistas da própria instituição e de outros museus franceses, como o d’Orsay e o Museu de História Natural. Representantes de cinco tradicionais joalherias francesas — Mellerio, Chaumet, Cartier, Boucheron e Van Cleef & Arpels — também participarão do processo.

O diretor do departamento de artes decorativas, Olivier Gabet, declarou ao The New York Times que a expectativa é concluir a restauração até o fim do ano, quando a coroa deverá retornar à exposição pública.

Origem

Encomendada por Napoleão III ao joalheiro oficial da família imperial, Alexandre Gabriel Lemonnier, com a colaboração de um escultor e outro ourives, a coroa foi projetada para ser mais leve que a do imperador. Após a morte da imperatriz Eugénie, em 1920, a peça foi adquirida pelo Louvre. Atualmente, é uma das três únicas coroas de soberanos franceses ainda preservadas no país. Quatro suspeitos do roubo foram presos, porém as demais joias levadas continuam desaparecidas.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.