Parasita “come-carne” pode invadir os EUA: Texas segue em alerta
Autoridades norte-americanas emitem alerta após a expansão de um parasita que causa miíase avançar em direção à fronteira dos Estados Unidos

O estado do Texas declarou estado de desastre emergencial diante da ameaça representada pela expansão do parasita conhecido como Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca cujas larvas se alimentam de tecido vivo, causando uma condição dolorosa chamada miíase. A preocupação não é apenas veterinária, mas também ecológica e, em casos raros, de saúde humana.
Esse inseto — tipicamente encontrado em áreas tropicais como América do Sul, Cuba e partes do Caribe — não estava presente nos EUA há décadas, graças a programas de erradicação iniciados na década de 1960. Porém, relatos recentes de sua movimentação em direção ao norte, desde o México até a fronteira texana, levaram autoridades locais a agir preventivamente antes que ocorram surtos significativos no território americano.
O governador Greg Abbott anunciou a declaração de desastre como forma de mobilizar recursos estaduais para vigilância, resposta rápida e coordenação entre agências de saúde, agricultura e meio ambiente. Embora a espécie ainda não tenha sido oficialmente detectada dentro do Texas, o avanço observável em regiões vizinhas levou o governo a considerar a ameaça séria o suficiente para antecipar ações de contenção.
Parasita nos EUA?
O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) destaca que as larvas desse parasita podem se desenvolver em feridas abertas de animais e, ocasionalmente, humanos, onde penetram e se alimentam do tecido vivo, o que pode levar a infecções graves se não tratadas rapidamente.
Casos humanos são raros, mas já registrados: em 2025, por exemplo, médicos removem dezenas de larvas de um paciente que havia viajado para a República Dominicana, ilustrando a capacidade de infestação do parasita em seres humanos — mesmo que o risco principal permaneça com rebanhos, animais selvagens e a indústria agrícola.
Para enfrentar essa ameaça, o Texas está fortalecendo a vigilância nas fronteiras, investindo em rastreamento e resposta rápida, e até planejando a construção de um centro de produção de moscas estéreis para liberação e controle populacional — uma técnica usada anteriormente com sucesso para reduzir a população de screwworms em surtos passados.
Especialistas advertem que, se a espécie conseguir se estabelecer em áreas temperadas dos EUA, o impacto poderia ser substancial não apenas para pecuaristas e produtores de gado, mas também para ecossistemas naturais que ainda não evoluíram defesas eficazes contra esse tipo de parasita.