Restauração de Igreja na França revela vestígios paleocristãos
O Inrap documentou novas estruturas e sepulturas na Igreja de San Parteo, na Córsega, que passa por obras visando a futura abertura ao público

Em um esforço significativo para preservar e compreender o patrimônio histórico da Córsega, o Instituto Nacional Francês de Pesquisa Arqueológica Preventiva (Inrap) está conduzindo uma documentação detalhada da igreja de San Parteo, em Lucciana.
Localizado próximo à antiga Catedral de Mariana, o sítio está sendo preparado para um ambicioso projeto de restauração liderado pela administração municipal, visando sua futura abertura ao público.
Camadas de História
De acordo com informações repercutidas pelo Inrap, a importância de San Parteo está na sua complexa estratificação arqueológica. Nesse contexto, o sítio ilustra uma continuidade de ocupação impressionante.
A história local remonta à Antiguidade Tardia, evidenciada por antigas sepulturas e alvenarias. Já em um período posterior, sobre essas fundações, ergueu-se uma grande basílica paleocristã de três naves, possivelmente dedicada a San Parteo.

Entretanto, a configuração mudou drasticamente na Idade Média, quando o edifício original foi substituído pela igreja de nave única que permanece de pé atualmente. Essa sobreposição de monumentos confere ao local uma riqueza histórica única, unindo séculos de evolução religiosa e arquitetônica.
Descobertas da Campanha de 2026
A atual campanha de escavações, concluída em 6 de fevereiro de 2026, foi além da simples documentação. Inicialmente, a limpeza da área redescobriu estruturas que haviam sido ocultadas pela vegetação após as escavações da década de 1950, incluindo túmulos com telhados de duas águas e cistas medievais.
Por outro lado, a investigação trouxe revelações inéditas. A equipe do Inrap descobriu uma parede da Antiguidade Tardia orientada de leste a oeste, cuja função ainda é um mistério.
Além disso, no interior da igreja, foram encontrados três novos túmulos paleocristãos — um deles curiosamente situado em uma ânfora — e um piso de terracota que permitiu uma datação mais precisa das fundações do edifício.
Por fim, essas descobertas servirão de base para um novo percurso histórico turístico. Para celebrar o encerramento desta fase, o Inrap realizou um dia de visitação pública no sábado, 7 de fevereiro, permitindo que a comunidade vislumbrasse o passado antes da consolidação do restauro.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes