Vila da Idade do Ferro é descoberta na Escócia
Escavações revelam casas circulares em vila com áreas de metalurgia e túmulos com mais de 1 500 anos de idade

Durante a construção de uma vala de quase um quilômetro como parte de obras de melhoria da rede de esgoto na região rural de Windhill, nas Terras Altas do norte da Escócia, arqueólogos encontraram um conjunto arqueológico impressionante que combina vestígios de ocupação humana em diferentes épocas, com uma vila e um cemitério.
O achado inclui restos de um assentamento da Idade do Ferro (cerca de 2 500 a 1 500 anos atrás) e um mortuário do início da Idade Média, possivelmente datado do século VI d.C. — um período de grande transformação demográfica e cultural no norte da Europa.
Na vila, foram identificadas duas estruturas conhecidas como “roundhouses”, habitações circulares típicas da Idade do Ferro britânica, construídas com paredes de terra e madeira. Essas casas, utilizadas há cerca de 2 500 a 3 000 anos, situavam-se lado a lado com vestígios de fornos de fundição de ferro — evidência clara de que os habitantes não viviam apenas da agricultura e da pecuária, mas também dominavam atividades metalúrgicas mais complexas.
Vila entre-eras
A presença de fornos de ferro próximos às habitações é especialmente relevante para entender as práticas econômicas e sociais desses antigos grupos humanos. Enquanto muitos sítios da Idade do Ferro na Escócia revelam vestígios domésticos, poucos mostram evidência tão clara de produção de metal, o que pode indicar papel local ou regional importante na cadeia de produção de ferramentas e armas de ferro.
Outro elemento fascinante da descoberta foi a identificação de três grandes túmulos medievais, chamados de barrows, com aproximadamente 10 metros de diâmetro cada um. Esses barrows circulares, típicos do início da Idade Média, eram usados para sepultamentos coletivos ou de figuras sociais destacadas. Análises posteriores com datação por carbono e exames de isótopos podem revelar a idade exata dos enterrados, sua dieta, origem geográfica e até mesmo aspectos de sua vida cotidiana.
Curiosamente, enquanto muitos sítios da Idade do Ferro incluem cerâmica associada às habitações, os arqueólogos não encontraram fragmentos de vasos de cerâmica neste local, o que contribui para a hipótese de que os habitantes usavam preferencialmente recipientes de madeira ou outros materiais orgânicos que não se preservam tão bem no registro arqueológico — uma característica observada em outros contextos do norte da Grã-Bretanha.