Caso Epstein estreita julgamento de nobre norueguês
Análise do caso de Marius Borg Høiby começa em Oslo, no momento em que documentos expõem interações da mãe com Jeffrey Epstein

O filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Høiby, começou a ser julgado nesta terça-feira, 3, em um caso que chocou o país e atraiu a atenção internacional, agora envolvido em tensões com o caso Epstein. Aos 29 anos, Høiby responde a um total de 38 acusações que incluem quatro casos de estupro, violência doméstica, assédio, ameaça com arma branca e crimes relacionados a drogas, além de outros delitos envolvendo ex-parceiras e mulheres que teriam sido vítimas de abuso.
O julgamento ocorre no Tribunal Distrital de Oslo e deve se estender por cerca de sete semanas. As acusações contra Høiby abrangem eventos ocorridos ao longo de vários anos, desde 2018 até 2024, e, segundo os promotores, podem resultar em até 10 anos de prisão em caso de condenação total.
Durante as audiências iniciais, Høiby pleiteou inocência nas acusações mais graves, negando ter cometido estupros ou abusos, embora tenha admitido envolvimento em delitos menores como posse de drogas e outras infrações. Seus advogados argumentam que muitos dos encontros sexuais questionados foram consensuais e ligados a um ambiente social marcado por festas, álcool e consumo de substâncias, e não crimes.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque Høiby, embora seja filho de Mette-Marit, princesa herdeira da Noruega, não possui título oficial real nem funções na família real, por ser fruto de um relacionamento anterior ao casamento da mãe com o príncipe herdeiro Haakon. Ainda assim, a ligação familiar aumentou a cobertura midiática e a atenção pública ao processo.
Ligação com Epstein
Ao mesmo tempo em que seu filho enfrenta o tribunal, a princesa herdeira viu sua própria imagem ser questionada após a divulgação de arquivos ligados ao financista americano Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual e abuso de menores. Documentos liberados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostraram que o nome de Mette-Marit aparece mais de mil vezes em correspondências e trocas de e-mails com Epstein entre 2011 e 2014 — anos após sua condenação nos Estados Unidos.
A princesa emitiu uma declaração pública destacando que demonstrou “falta de bom senso” ao manter contato com Epstein e que lamenta profundamente suas escolhas naquela época, classificando a ligação como “simplesmente embaraçosa”. Mas, para muitos noruegueses, essa explicação não foi suficiente para mitigar a crise de confiança que atinge a monarquia, e agora respinga no caso Epstein.