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Após novos arquivos do caso Epstein, ex-príncipe Andrew deixa mansão real em Windsor

Nova divulgação de documentos do caso Epstein pela Justiça dos EUA indicam contato regular com o ex-príncipe Andrew — que, agora, saiu de sua mansão na propriedade real de Windsor

Ex-príncipe Andrew / Crédito: Getty Images

Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles III, deixou sua residência na propriedade real de Windsor após novas revelações envolvendo seus laços com Jeffrey Epstein, magnata americano condenado por crimes sexuais. A mudança foi confirmada por uma fonte da realeza nesta quarta-feira, 4, após a divulgação de novos documentos pela Justiça dos Estados Unidos.

A saída do Royal Lodge, mansão georgiana de 30 cômodos onde Andrew vivia há décadas, representa mais um revés público para o ex-príncipe, afastado da vida oficial desde 2019. Segundo o jornal The Sun, Andrew, de 65 anos, esperava permanecer no local por mais tempo, mas deixou a residência discretamente na segunda-feira, 2, sendo levado para uma casa de campo em Sandringham, propriedade do rei em Norfolk, no leste da Inglaterra.

Apesar de ter sido fotografado recentemente cavalgando em Windsor, Andrew sempre negou qualquer envolvimento com Epstein. No entanto, após a mais recente divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, a Polícia do Vale do Tâmisa informou, na terça-feira, 3, que está analisando uma nova acusação contra ele.

Uma fonte da realeza confirmou que a mudança para Norfolk faz parte de um período de transição e que Andrew poderá retornar ocasionalmente a Windsor nas próximas semanas. Um amigo não identificado afirmou ao The Sun: “com o último lote de documentos sobre Epstein, ficou claro para ele que era hora de ir embora”. Segundo a mesma fonte, “a partida foi tão humilhante para ele que ele optou por fazê-la às escondidas”.

Segundo filho da falecida rainha Elizabeth II, Andrew foi forçado a renunciar a todos os seus deveres reais oficiais em 2019, após o agravamento do escândalo envolvendo Epstein. Em 2022, ele firmou um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando ela era adolescente. Embora sempre tenha negado a acusação, o caso voltou a ganhar atenção pública no ano passado, com o lançamento de suas memórias póstumas.

Novas divulgações de arquivos de Epstein nos Estados Unidos, no ano passado, levaram o rei Charles a adotar medidas mais duras. Em outubro, buscando uma ruptura definitiva para a monarquia, o rei retirou o título de príncipe de Andrew e anunciou que ele seria removido da Residência Real Britânica, em uma das ações mais drásticas já tomadas contra um membro da família real na história moderna do Reino Unido. Na ocasião, Charles afirmou que sua solidariedade era com as vítimas de abuso.

Desdobramentos do caso

As consequências da divulgação do mais recente lote de milhões de arquivos relacionados a Epstein também atingiram outras figuras públicas. A polícia britânica iniciou, na terça-feira, uma investigação contra Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, por suposta má conduta em cargo público, após alegações de que ele teria vazado informações confidenciais do mercado para Epstein.

Os documentos divulgados incluem e-mails que sugerem que Andrew manteve contato regular com Epstein por mais de dois anos após a condenação do financista por crimes sexuais contra menores. O ex-príncipe havia negado anteriormente manter laços com Epstein após a condenação de 2008, com exceção de uma visita à Nova York, em 2010, que teria servido para encerrar o relacionamento.

Diante das novas revelações, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou no sábado, 31, que Andrew deveria depor perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, repercute a CNN Brasil.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.